A inteligência criativa

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Armando Correa de Siqueira Neto

Ao se deparar com um problema, fator inevitável no cotidiano e condição fundamental para o desenvolvimento, o ser humano pode evitá-lo e assim desperdiçar uma boa chance de crescer. É comum ocorrer a fuga mediante os embaraços existentes. Muitas pessoas, portanto, resolvem apenas as questões que se mostram urgentes e inadiáveis. Resolver problemas requer vontade, dedicação, suor e, em algumas ocasiões, lágrimas. Os reveses da vida podem ser classificados em simples ou complexos, conforme o olhar que cada um dá sobre eles. O que é difícil para alguém não o é para outro. Mas o ponto central reside no fato de que evitar o contato com os problemas nos conduz a estagnação na escalada do aperfeiçoamento, produz angústia e estresse e, via de regra, causa a sensação ruim de inferior auto-estima.

Com o tempo e o hábito de se fugir da raia, forma-se uma impressão de incapacidade internamente, o que propicia a falsa crença sobre o alcance do próprio potencial. Nós fugimos e sofremos por tal fato. A princípio, acreditamos que escapar dos obstáculos é sinal de esperteza. Nos gabamos. Contudo, os resultados são questionáveis.

Não obstante, possuímos recursos capazes de colaborar com os empreendimentos, a criatividade é um exemplo. Ela propicia novas condições perante situações que demandam algum tipo de solução. Porém, a criatividade é pouco utilizada. Raramente percebemos as razões que impedem o seu uso. Pode-se apontar importantes itens psicológicos neste diagnóstico, tais como o medo de inovar e correr riscos, a acomodação e a facilidade de se manter do mesmo jeito sem gastar energia refletindo a respeito, crer que as idéias próprias e permanentes são a melhor saída sempre, desconsiderando, assim, as opiniões alheias, etc.

Por outro lado, um caminho a se trilhar mediante a presença de problemas é a sua aceitação e a posterior atitude de se buscar a solução. Nesta condição, podem estar presentes a necessidade, a pressão e a vontade. A necessidade contribui parcialmente com a sua presença imperativa. A pressão se divide em duas categorias: a externa, vinda por parte de outrem, um chefe, um parente etc e interna como uma autocobrança. E a vontade, que atende a um determinado fim, resolver uma dada questão.

Estes três elementos são uma poderosa combinação que desencadeia a criatividade. A partir deste conjunto, quando encaramos as adversidades e tentamos resolvê-las, formamos uma seqüência que se processa em nosso psiquismo: ficamos frente-a-frente com um problema e pensamos com vigor sobre ele. Em seguida, pesquisamos e descobrimos informações que colaborem – quanto mais rico for o acervo de conhecimento disponível, tanto melhor será esta fase e as respostas decorrentes. Então, mudamos o foco das atenções e permitimos que o cérebro trabalhe com maior liberdade, dando espaço para as conexões agirem. Conseqüentemente, as novas idéias aparecem. Todavia, cabe relevar que de nada vale a nova criação se não for colocada em prática. Uma frase de Albert Einstein (1879-1955) resume claramente este processamento psicológico criativo: “Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio e eis que a verdade se me revela”.

Oferecer exercícios ao cérebro para a superaração dos obstáculos cotidianos é vitalizar as conexões cerebrais, desenvolver o potencial criativo inteligente, ampliar a percepção de mundo, aumentar a crença em si próprio e a boa auto-estima, sentir-se mais participativo, entender o papel do medo como agente de defesa e não de impedimento, repudiar a acomodação e o conformismo. O hábito aperfeiçoa. Ele beneficia tanto que, mesmo em momentos em que a necessidade, a pressão ou a vontade não estiver presente, o processamento de solução de problemas funcionará.

A inteligência criativa é um bem disponível em todos. A sua prática é que determina o tipo de resposta que se obtém quando precisamos resolver algum problema. Alguém que deseja ser bom em alguma modalidade do esporte carece do exercício constante para se chegar lá. Igualmente acontece com os propósitos psicológicos. Praticar a criatividade é o caminho para se resolver problemas inteligentemente.

Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo e diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas. ([email protected])