Adiós muchachos

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Carlos Louzada

No ritmo de “um pra lá e dois pra cá”, as medidas protecionistas anunciadas pelo ministro da Economia Roberto Lavagna ainda bailam nas indústrias brasileiras. A atitude do governo argentino tem como objetivo compensar a falta de competitividade das empresas locais. Porém, ao analisar a situação de perto, percebo que estas medidas poderão reduzir ainda mais a pouca competividade existente, uma vez que os executivos hermanos se encontram em uma zona de conforto, onde não há concorrência.
Pelas regras, os acordos de preferências comerciais entre os países do Mercosul, ao impor barreiras para a entrada dos produtos brasileiros a Argentina deve abastecer o mercado interno com produtos de outros países do bloco ou fabricados em seu território.
O governo brasileiro mostrou-se interessado em não permitir a divergência comercial entre os países durante a 26ª Cúpula do Mercosul. Apesar de todos os esforços do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Furlan, a Argentina chegou a desmenti-lo sobre a vigência das barreiras, embora o ministro apresente vasta experiência e competência. Entretanto, o que está em jogo, na visão dos empresários e do governo argentino é quase a “soberania nacional” e demandará mais do que experiência e competência de nossos líderes.
Diante deste cenário, o que resta para as empresas brasileiras é investir em programas de aumento de competitividade. O retorno sobre investimento, sob a forma de aumento de produtividade, aumento da qualidade e diminuição dos prazos de entrega serão as únicas garantias de participação em um mercado voraz, onde somente empresas de classe mundial sobreviverão.
Ao lidar com a situação imposta pela Argentina não podemos esquecer das estratégias de negócios que envolvem fornecedores e clientes, que são elos cada vez mais fortes e interdependentes da cadeia de valor. Sem os clientes, estejam onde estiverem e tenham o perfil que tiverem, obviamente não existe negócio. Por conta disso, as empresas devem estar preparadas para literalmente buscar estes clientes, globalmente.
Vale ressaltar que, as empresas que possuírem flexibilidade em seus processos produtivos poderão responder com rapidez a qualquer alteração exigida por seus clientes ou pelo mercado e, somente as empresas dotadas de metodologias específicas terão capacidade e estarão preparadas para a próxima década.

Com o aumento da competividade, as companhias se tornarão de classe mundial, ou seja, as empresas não terão a necessidade de reservas de mercado ou sobretaxação dos produtos concorrentes vindos de outros países, muito menos bailar ao ritmo do tango “adiós, muchachos, compañeros de mi vida”. No caso da indústria brasileira, a preocupação será somente com o custo Brasil e com o “sócio” governo e, para este problema, não encontro solução.

Carlos Louzada é diretor Superintendente da TBM Consulting Group, empresa especializada em LeanSigma, uma metodologia que integra Lean e Six Sigma. Para mais informações: [email protected]