Aprenda com as lagostas!

0
4



Autor: Antonio Lazarini

 

Quem já ouviu falar de um animal crustáceo, artrópode, decápode e macruro? Bem, este animal também é conhecido por lagosta. É um crustáceo porque tem a estrutura de sustentação (crusta) do lado externo do corpo. É artrópode porque tem a carapaça externa articulada. É decápode porque tem dez pés e, por fim, é um animal macruro porque tem cauda longa. Apesar da descrição, trata-se de um animal muito inteligente.

 

O habitat é o fundo do oceano onde vive quase sempre sob rochas, escondido. Mas há um detalhe interessante. Quando escondida, a lagosta mantém as antenas para fora do esconderijo. E qual a razão? A explicação é simples. Com as antenas do lado de fora ela pode, como um radar, ficar vasculhando o ambiente ao redor. A intenção é detectar sinais da aproximação. As antenas captam vibrações na água que são enviadas para o cérebro. De posse desta informação irá juntá-la a outras de seu repertório e entender tratar-se de uma presa ou inimigo e decidir em atacar ou fugir.

 

Esta é uma prática milenar utilizada pelas lagostas e outros animais que vivem em ambientes selvagens e onde reina a incerteza. Este comportamento das lagostas foi aprendido ao longo de milhões de anos e tem contribuído, de maneira decisiva, para a preservação da espécie.

 

As pessoas e, principalmente, as empresas têm muito que aprender com as lagostas. Não se trata de andar por aí colocando antena em tudo e todos, mas de utilizar os sentidos, por sinal bem eficientes, que já possuímos. A questão é nos darmos conta de que o mundo que nos cerca está cheio de “presas” e “inimigos”, nas mais variadas formas. É um novo concorrente que irá se instalar em nosso mercado, uma tecnologia inovadora que é implementada, novas regras governamentais para citar apenas alguns, não nos esquecendo nunca, do ponto mais crítico de uma empresa, ou seja, os seus clientes. Principalmente estes são muito dinâmicos e têm necessidades mutantes, motivo pelo qual devemos monitorá-los, permanentemente.

 

Nossas “antenas” devem, então, estar o tempo todo vasculhando os arredores, e colhendo todas as “vibrações” que percebemos. De posse destes dados, cabe-nos analisá-los, juntamente com outras informações e experiências de que já dispomos. Só então devemos tomar a decisão do que fazer. É certo que estas informações colhidas por nossas “antenas”, na maioria das vezes, não estão claramente definidas ou enunciadas. Caberá sempre uma boa dose de análise e interpretação. Nessa hora a experiência, um bom ferramental e pessoas competentes e capacitadas contam muito para uma análise bem feita, o que fará toda a diferença.

 

O maior problema, contudo, não é uma análise equivocada ou uma informação mal interpretada. O que pode, e certamente, causará grandes desastres para as pessoas e empresas é a acomodação com o momento que vivem, achando que estão seguras e terão vida longa. Por este motivo, despreocupam-se em se munir de “antenas” e vasculhar as cercanias (e longe também) para ver o que está acontecendo ou está para acontecer.

 

Afinal, vascular o ambiente não é coisa de outro mundo. Pode ser uma ação bem simples que vai desde a leitura de um livro com novos conceitos até visitar feiras e participar de workshops e palestras, só para citar apenas alguns exemplos de práticas que funcionam e são muito eficientes. Certamente demandará algum recurso e tempo. Este custo será muito pequeno se comparado com os potenciais problemas que estaremos evitando bem como os lucros (em todos os sentidos) que teremos.

 

Este ponto é crucial para as empresas. Frequentemente, elas fazem uma relação direta entre o investimento e o retorno, na tentativa de apurar um valor positivo para esta fração matemática. A questão é que nem sempre, ou na maioria das vezes, esta relação é direta e pode ser estabelecida por meio de números. Esta atitude de buscar informações no ambiente, pode não dar resultados imediatos e mensuráveis, mas que estes virão. Quanto a isto não resta a menor dúvida, é só praticar e comprovar.

 

Assim, a questão que se coloca é muito simples: ou colocamos nossas “antenas” para vasculhar o entorno ou teremos vida curta e seremos refeição fácil para os tubarões que estão por toda parte. A escolha sempre será nossa.

 

Antonio Lazarini é consultor de processos e palestrante sobre qualidade, gestão de empresas e gestão de pessoas.