As várias faces da inovação

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Autor: Luiz Fernando Garcia

 

Os empreendedores inovam. A inovação cria um recurso, inexistente até o momento em que o homem encontre um uso para alguma coisa qualquer da natureza e assim a dote de valor econômico. Enquanto isso não acontece, cada planta é uma erva qualquer, e cada mineral é apenas uma rocha.

 

São as novas percepções, que modificam o que já existe, que dão um significado novo e importante ao que já era útil. É o “navio cargueiro” que se transformou em “container”, praticamente quadruplicou a produtividade do cargueiro marítimo e salvou a marinha mercante.

 

De fato, a inovação não é necessariamente algo técnico. Ela não precisa ser uma “coisa-material”. Poucas inovações técnicas podem competir, em tempos de impacto, com inovações sociais. Além disso, apesar de sua extensa abrangência – a inovação é mais que um termo técnico; é também econômico e social – não podemos ainda elaborar uma teoria de inovação. Todavia, já sabemos o suficiente para dizer quando, onde e como se buscam sistematicamente oportunidades inovadoras, e como se avaliam as chances de seu sucesso ou os riscos de seu fracasso. Sabemos o bastante para desenvolver, embora, ainda em poucas linhas, a prática da inovação.

 

Podemos sinalizar sete caminhos como sendo os principais para as oportunidades inovadoras. Dispostos numa ordem decrescente de confiabilidade e previsibilidade, as quatro primeiras fontes são tidas como “sintomas”. Visíveis, esses indicadores de mudanças estão dentro da empresa. São eles:

 

– O inesperado: o sucesso inesperado, o fracasso inesperado, o evento externo inesperado;

 

– A incongruência: entre a realidade como ela é de fato, e a realidade como se presume ser ou como “deveria ser”;

 

– A inovação baseada na necessidade do processo;

 

– Mudanças: na estrutura do setor industrial ou na estrutura do mercado que apanham a todos desprevenidos.

 

O segundo grupo de fontes para a oportunidade inovadora, um conjunto de três delas, implica mudanças fora da empresa ou do setor:

 

– Mudanças demográficas, ou seja, populacionais;

 

– Mudanças em percepção: além da disposição e significado;

 

– Conhecimento novo: tanto científico como não-científico.

 


As linhas que delimitam essas sete fontes de oportunidades inovadoras são nebulosas e existe uma considerável sobreposição entre elas, que podem ser comparadas a sete janelas, cada uma em um lado diferente do mesmo prédio. Cada janela mostra algumas coisas que também podem ser vistas da janela de qualquer um de seus lados. Mas, a vista do centro de cada uma é única, distinta.

 

A maioria esmagadora das inovações bem sucedidas explora a mudança. Por certo, existem algumas que em si constituem uma importante mudança, mas elas são exceções razoavelmente incomuns. A maior parte das inovações que foram bem sucedidas são mais prosaicas. Portanto, a disciplina de inovação (a base do conhecimento do empreendedorismo) é uma disciplina de diagnóstico: um exame sistemático das áreas de mudança que tipicamente oferecem oportunidades empreendedoras.

 

Luiz Fernando Garcia é consultor especialista em manejo comportamental, empreendedorismo e negócios, além de metodologista, empresário e palestrante. Autor dos livros “Pessoas de resultado” e “Gente que faz”, da Editora Gente.