Aumenta o Índice de Intenção do Consumidor

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O Índice de Intenção do Consumidor (IIC) alcançou em dezembro o nível mais alto do ano, fechando em 110,73 pontos, um crescimento de 6,84% em relação ao mês anterior e de 3,68% na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo a Fecomércio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo). O resultado é conseqüência do aumento do otimismo do consumidor tanto no que se refere ao longo prazo quanto ao curto prazo. Desde março de 2001, quando ficou em 111,17 pontos, o IIC não atingia um patamar positivo tão expressivo na escala que vai de 0 a 200 pontos.
Além de mais otimista com a conjuntura em geral, o consumidor paulista também se mostra muito mais animado para ir às compras em dezembro do que em novembro, acompanhando a sazonalidade do comércio, mas numa intensidade maior do que a registrada no mesmo período de 2002. De novembro para dezembro do ano passado a alta do IIC foi de 5,01% e o índice ficou em 106,8 pontos. Ainda assim, a Fecomércio-SP mantém a previsão de queda do faturamento do setor em relação a 2002, visto que, mesmo que o resultado de dezembro seja positivo, não haverá como reverter o baixo desempenho do comércio no decorrer do ano. Para o Natal, a expectativa é de que as vendas sejam equivalentes às de 2002.
No Natal, contudo, o setor de bens duráveis é o que deve ser o maior beneficiado com o otimismo demonstrado pelo consumidor em dezembro. De acordo com a pesquisa, que é realizada mensalmente com 900 consumidores na Grande São Paulo, 61,39% da população têm interesse em comprar esse tipo de produto, ante 53,75% que deram a mesma resposta em novembro e 44,5% em dezembro do ano passado. Os aparelhos de telefone celular registraram a maior média de citações entre aqueles que têm intenção de adquirir duráveis, de 10,81%, contra 8,13% em novembro. Em segundo lugar, para as mulheres está o interesse por um aparelho de som (7,16%) e, para os homens, por um automóvel (11,67%).
O aumento da intenção de compra neste mês também é reflexo do aumento do otimismo do consumidor para o longo prazo, que alcança 121,98 pontos, com alta de 5,87% em relação a novembro. No entender da assessoria econômica da Fecomércio-SP, esse patamar mostra que a expectativa futura das pessoas ainda está bastante desvinculada da realidade presente, visto que a avaliação das condições econômicas atuais soma 93,85 pontos (abaixo da média do índice), apesar de ter registrado alta de 8,78% em relação a novembro.
Desse modo, é possível verificar que a diferença entre as expectativas atuais e futuras estão em torno de 30%. No indicador de longo prazo não há nenhum resultado abaixo de 100 seja qual for a classificação considerada (por faixa de renda, idade, ou por sexo), o que evidencia um forte otimismo depositado pelo consumidor no futuro.
Em geral as preocupações dos consumidores em dezembro não são muito diferentes do que eram em novembro, mas os números mostram pequenas inflexões. Com isso, apesar do otimismo, os consumidores não escondem a contínua preocupação com a alta do desemprego. Esse fator foi o mais citado pelos entrevistados (30,42% ante 29,38% em novembro) como a principal preocupação do momento. De acordo com a assessoria econômica da Fecomércio-SP, a manutenção desse temor contribui para que a percepção do consumidor tenda ao pessimismo também em relação a outros problemas, depois desse período de fim de ano. Além disso, dentro desse assunto há de se considerar ainda outros fatores negativos, como dificuldade de negociação salarial e o aumento do emprego informal.