Chega de casinho, eu quero coisa séria

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Autor: Gustavo Loureiro
Hoje em dia uma das principais preocupações de qualquer setor de marketing, se não é, deveria ser a gestão de suas marcas relacionadas a atributos emocionais.
Com o mercado super aquecido e o aumento da concorrência, abordar diferenciais no produto já não é fator de decisão para o consumidor, cada vez mais ele busca uma empresa com a qual ele se identifique através de valores, para depois decidir que produto lhe convém. 
Uma marca não é exatamente aquilo que se enxerga, mas aquilo que se faz enxergar, um bom argumento pode mudar a percepção que temos sobre determinado assunto.
Acredito que o consumidor se identifica com a marca como um todo. No caso da Coca-Cola, por exemplo, antigamente era usado bastante do artifício emocional no Natal, que virou símbolo, hoje todos esperam algo nessa época do ano, mas isso foi apenas uma introdução que se seguiu com diversas campanhas que não trilhou só pelo lado emocional, ela buscou estreitar laços afetivos e de “amizade” com o seu público, e acertou em cheio.
Na minha percepção uma boa logomarca é aquela que está aberta a transformações sem perder sua identidade, sua essência, aquela que é capaz de acompanhar a evolução de uma organização e do universo que a rodeia sem se prender a questões somente visuais, mas sim morais.
Um ótimo exemplo do que estou falando é o ator e apresentador, Luciano Huck, ele nem sempre foi referencia para padrões estéticos ou que inspirassem admiração, até o momento em que ele transformou isso através do seu talento e competência. Tornou-se símbolo de generosidade, bondade e esperança e agora como garoto propaganda de grandes marcas seus aspectos visuais se tornaram totalmente secundários.
Outro exemplo é a Nissan que há pouco tempo era vista como “mais uma marca japonesa”, mas depois da campanha dos “pôneis malditos” alavancou suas vendas em mais de 20%, porque o público começou a “achar” aquele produto poderia ser pra ele, identificou-se com a campanha e acreditou que a marca por algum instante “falou a mesma língua que ele”. A partir daí, o produto deve ser bom também, se não a campanha não se sustenta, e depois de pouco tempo a marca pode cair.
Esta busca de “personificação” de uma marca se torna cada vez mais frequente e necessária através de famosos, gente de sucesso, mascotes e até lugares, para que o público se identifique e “adote” a marca. Por isso se você é um profissional que se preocupa com os resultados do seu trabalho você deve pensar um pouco além de vender um produto ou serviço e lembrar que quem está do outro lado não quer só mais um “casinho”, eles querem “namorar”.
Gustavo Loureiro é sócio-diretor da House Comunicação