Cresce calote em São Paulo

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Depois de seis meses de quedas consecutivas a taxa de inadimplência em São Paulo volta a crescer. Estado com maior volume de cheques compensados no País (mais de 67 milhões de unidades), São Paulo registrou 47 cheques em cada mil compensados foram devolvidos por falta de fundos, de acordo com os dados da CheckOK, empresa de verificação eletrônica de crédito. Esse total é 2,5% maior do que a variação registrada em setembro de 2003, quando foram devolvidos 46 cheques para cada lote de mil compensados. Em relação a agosto de 2004, quando foram devolvidos 44 cheques em cada mil depositados, houve variação positiva, de 5,8%.
Nos primeiros nove meses de 2004 foram devolvidos 29 milhões de documentos por falta de fundos em São Paulo, quantidade menor do que a registrada no mesmo período de 2003 (33,3 milhões), 2002 (33,4 milhões) e 2001 (35,3 milhões).
Em setembro, o total de cheques devolvidos por falta de fundos em todo o país teve uma variação positiva de 6,2%, na comparação com o mesmo mês de 2003, de acordo com o levantamento da CheckOK. Do total de 172 milhões de cheques compensados no mês passado, 54 em cada lote de mil não tinham saldo suficiente. Em setembro de 2003, a quantidade foi de 51 cheques sem fundos para cada mil compensados. Em relação a agosto deste ano, quando foram devolvidos 50 documentos para cada mil depositados, houve variação positiva de 8%.
De janeiro a setembro deste ano, 83,3 milhões de cheques foram devolvidos por falta de fundos, quantidade menor registrada para o mesmo período desde 2002, quando foram devolvidos 86,7 milhões de cheques por insuficiência de saldo.
No mês passado todas as regiões apresentaram alta na variação do volume de cheques sem fundos, na comparação com o mês de setembro de 2003: Norte (13,8%), Nordeste (16,2%), Sudeste (2,4%), Sul (7,1%) e Centro-Oeste (11,4%). Em relação ao mês de agosto de 2004, as regiões Norte (10,5%), Nordeste (12,4%), Sudeste (5,4%), Sul (11,4%) e Centro-Oeste (11,8%) também tiveram alta na quantidade de cheques devolvidos por falta de pagamento.
Todos os dados do levantamento da CheckOK têm como base os dados fornecidos pelo Banco Central e referem-se aos cheques sem fundos devolvidos pela primeira e segunda vezes, além das devoluções pelas alíneas 13 (conta encerrada), 14 (prática espúria) e 21 (contra-ordem ou sustação de pagamento).
Alta da inadimplência, um caso atípico – Segundo o analista financeiro da ABM Consulting, Gustavo Pedreira, o aumento da inadimplência em setembro não é muito preocupante até o final do ano, pois é um caso atípico. “Os principais motivos são: o retorno dos cheques pré-datados no período do Dia dos Namorados e Dia dos Pais; pequeno aumento na taxa de juros; crescimento do crédito total nacional. Além disso, com a recuperação econômica, os consumidores gastam mais”. De acordo com Pedreira, a tendência para o final de ano ainda é de queda. “A queda do desemprego (taxa de 10,9% em setembro) e o aumento da renda (3,2% de set/04 em relação set/03), contribuem para isso”.