Crise aos 30

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A crise e o padrão de consumo entre os diferentes brasileiros com 30 anos foi o foco da segunda pesquisa feito pela Giacometti Comunicação, intitulado de Projeto 30. Segundo os dados, 85% dos brasileiros com essa idade têm a sensação de que seu poder de compra está reduzido. Sendo que 64% abriram mão de algum item por conta da crise e 29% evitam novas dívidas por medo de perderem emprego. No estudo, os “trintões” foram divididos em diferentes tribos: Recomeço, Frustrados, Carreirista, Família Precoce, Zen, Realizados, Independentes e Deixa a Vida me Levar. 
A estabilidade financeira é, aliás, a grande busca da maioria dos entrevistados e a vida profissional um atalho para conseguir dinheiro. Para 86%, a busca por estabilidade financeira é a principal questão da vida. A maioria afirma que o maior problema é a falta de dinheiro: 70% dos entrevistados têm baixa realização financeira, 23% média e 7% alta. Segundo Dennis Giacometti, coordenador do estudo e presidente da Giacometti Comunicação, entre as principais frustrações financeiras está não conseguir pagar as contas em dia e deixar decair o padrão de vida da família. A maioria dos entrevistados não se julgou capaz de juntar dinheiro ou manter uma poupança. “Em função disso, emerge a cultura do agora, das pequenas indulgências. Já que não conseguiram juntar, preferem gastar um pouco mais para viverem momentos felizes. Permitem-se pequenos luxos e as compras proporcionam pequenas alegrias”, diz. 
Recomeço
Majoritariamente são da classe C e apesar de terem se programado menos, estão otimistas com o futuro. Preocupados com o dinheiro, o que mais almejam é a estabilidade financeira. Dos entrevistados, 28% são dessa tribo. Desses, 86% estão focados em mudanças e querem melhorar muitas coisas na própria vida; 75% querem um recomeço e estão lutando para reescrever a própria história e 57% afirmam ter muita coisa nova acontecendo na vida. O que mais os inspira são os filhos (45%), companheiro (43%), pais (35%), religião (24%) e livros (21%). A crise fez com que 30% cortassem viagens, 16% lazer e 15% roupas; 71% sentem que está tudo mais caro e que perderam o poder de compra. Já 58% têm evitado parcelamento e compras mais caras. 
Frustrados
Frustrados correspondem a 21% do total. Para 83%, a vida estaria melhor se tivessem corrido atrás do que queriam. A crise fez com que postergassem os sonhos; sendo severamente impactados. O foco do consumo é básico e sobra pouco dinheiro para o supérfluo. Perderam poder aquisitivo e têm medo de perder o emprego. Geralmente, 53% são das classes A e B; 55% fizeram faculdade. Os três principais focos de gastos estão em contas básicas (73%), supermercado (73%) e aluguel (53%). O prazer em consumir encontra-se no lazer (49%), supermercado (44%) e roupas (44%). Na crise, 68% abriram mão de algum item de consumo: 26% de viagem, 21% de lazer e 13% de carro/moto.
Carreirista
Esse perfil abarca 15% da população de 30 anos. Desses, 78% apontam que estudar foi um dos principais objetivos na vida, 66% estão completamente focados na profissão. Dentre os grupos esse é o que mais se planejou e o que tem um foco mais definido: carreira e sucesso profissional. 51% são das classes A e B; 79% fizeram faculdade. A principal inspiração está no companheiro (42%). A análise mostra que 66% sentem que estudo está mais caro e que perderam o poder de compra; 65% sentiram a crise no bolso; 54% têm evitado o parcelamento e compras mais caras; e 20% mantêm o padrão de vida de sempre. A crise fez com que 64% abrissem mão de algum item de consumo.
Família Precoce
Esse perfil é formado por 11% da população de 30 anos, sendo que 84% afirma que tiveram uma família muito cedo e faltou tempo e dinheiro para estudar. Hoje, lutam pela casa própria e procuram uma saída para melhorar a realidade financeira. Eles são: 52% da classe C, 46% fizeram faculdade; 25% dos que não têm diploma de ensino superior pensam em voltar a estudar para alcançar melhores salários. São inspirados pelos filhos (84%), sendo que 15% não se inspiram em ninguém. Os jovens desta tribo são os que mais estão em busca de bens básicos; a alimentação é o primeiro item de consumo e funciona como um fator de dignidade. Investem muito na educação dos filhos para que não repitam a história dos pais.
Zen
Menos ligados em dinheiro e bens materiais, os zens prezam a qualidade de vida em detrimento das extensas jornadas de trabalho. Correspondem a 8% da população com 30 anos; 71% estão focados na qualidade de vida e espiritualidade, 67% se sentem menos ambiciosos do que as demais pessoas. Por serem mais espiritualizados têm a família e a religião como o cerne da vida. São também mais racionais com os gastos; por conta da crise estão evitando parcelamentos e economizando mais. Entre os zens, 57% são da classe C e 63% fizeram faculdade. A fonte de inspiração para 55% é o companheiro. Os focos de gastos são, para 73% o supermercado, 67% as contas básicas e 32% prestação da casa. 
Realizados
Apenas 7% da população com 30 anos é da tribo Realizados, sendo que desses, 79% estão felizes com a vida pessoal e profissional. Em sua maior parte são mulheres das classes A e B que creditam à família um importante papel. Com um padrão de vida no qual podem se dar ao luxo de gastar mais com experiências, os realizados foram os que menos tiveram que abrir mão dos gastos e compras em decorrência da crise. Por serem mais planejados e terem mais reservas foram o grupo que melhor gerenciou os efeitos deste momento econômico.
Independentes
Liberdade é a palavra que rege a trilha dos independentes – tribo que abarca 6% do total. Desses, 75% afirmam que as maiores experiências vividas aconteceram quando estavam sozinhos; 68% estão em um momento individual; e 56% consideram os amigos tanto ou mais que a família.  Eles têm os livros como maior fonte de inspiração. 54% são da classe C e o principal desejo para o futuro é morar em um lugar tranquilo e curtir a vida (35%). Por outro lado, a crise atingiu o item de consumo mais importante para os Independentes: as experiências trazidas por viagens, pelo lazer.
Deixa a vida me levar
Os integrantes da tribo “Deixa a vida me levar” são, em sua maioria, homens. Fazem poucos planos, têm muita esperança em um futuro melhor e não se ressentem das escolhas feitas no passado. Nesse grupo, 52% são da classe C e 54% fizeram faculdade. O que os inspira? O companheiro é a fonte de inspiração para 59% dos entrevistados. Sobre o impacto da crise no consumo, 54% abriram mão de algum tipo de item: 36% lazer, 23% viagem e 23% roupa. O sentimento gerado pela crise é, para 39%, de que as compras estão mais caras e têm evitado o parcelamento; 36% sentem que perderam o poder de compra; 29% já sentiram no bolso os efeitos da crise; e 24% não têm arriscado por medo de perderem o emprego.