Crise? Hora de atrair investimentos

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Autor: Rafael Caldeira
 
Que o país vem passando por um período conturbado em sua economia já é fato notório para qualquer empresário com investimentos no Brasil. Ao abrirmos os jornais, ligar a TV ou o rádio somos bombardeados por notícias sobre demissões, falências ou cortes de gastos. O clima de pessimismo tem frequentado as conversas sobre negócios por todo o País. Mas será que este cenário se aplica para todos os segmentos da nossa economia? Será possível enfrentar essa turbulência de forma tranquila e ainda pensar em investimentos?
 
A resposta é sim, é possível, embora não seja tão simples. Para se destacar é preciso levar alguns pontos em consideração. O primeiro é conseguir se diferenciar em meio a um mercado competitivo. Empresas que se diferenciam via produto ou serviço de qualidade ou com tecnologia inovadora saem na frente. Por vezes, a oportunidade pode estar em adaptar o modelo de negócio ou apostar em um nicho de mercado ainda pouco explorado.
 
Aproveitar esse momento para descobrir novos caminhos é o que faz com que muitos empresários acreditem que os tempos de crise sejam oportunos para investir. Um exemplo crescente de movimento anticíclico são as startups. Muitas delas apostaram no empreendedorismo e inovação dos negócios para driblar momentos de incerteza e estagnação do mercado. Correr riscos faz parte do processo, mas sempre de forma planejada e mitigada.
 
Uma dose de ousadia e criatividade aliada a uma boa organização podem ser fatores essenciais para ajudar as companhias a superar esses momentos. A melhor maneira de confirmar que a empresa possui um planejamento bem definido é com um plano de negócios bem estruturado, que demonstre as alternativas adicionais de rentabilização ou de menor exposição aos riscos operacionais em um cenário turbulento e de menor liquidez.
 
Outro exemplo de empresas que se sobressaem as demais neste período são as que implementaram uma estrutura de governança corporativa, ou seja, o sistema organizacional que gere a companhia. A formação de divisões estruturais como a diretoria, conselhos de administração, fiscal e auditoria para um bom trabalho de incentivo e monitoramento aumenta a confiança do mercado de modo a atrair o interesse de acionistas.
 
Mas é claro que não há como ignorar o fato de que alguns segmentos continuam em um momento melhor em relação a outros. Os setores de beleza e de bebidas populares, por exemplo, continuam em alta, pois possuem um comportamento anticíclico e são resistentes à queda de renda do consumidor. Isso quer dizer que as pessoas seguem consumindo produtos dessas áreas, independentemente da crise. Por outro lado, as vendas de carros e de roupas sofrem uma retração por conta da diminuição do poder de compra da população.
 
Outro fator de segmentação por setor é a flutuação do câmbio ou, mais especificamente, a desvalorização sistemática do real. Esse é o caso, em geral, de empresas de mineração, siderurgia e celulose que tem suas despesas pagas em reais, mas cujas receitas são recebidas em dólares, uma vez que a maioria das commodities é exportada. Já quem depende de importações, como o setor farmacêutico, por exemplo, acaba saindo mais prejudicado.
 
Ainda assim, há exemplos de empresas bem-sucedidas que se diferenciaram e se protegeram até mesmo nas áreas consideradas mais prejudicadas. A crise econômica não deve impedir a sua de ter um bom desempenho e, ainda, atrair capital, afinal há uma série de possibilidades para todos os setores. Então, mãos à obra.
 
Rafael Caldeira é sócio da S&H Consultoria Financeira