Diálogo é fundamental em momento de crise

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Autor: Aurimar José Pinto

 

Medidas impulsivas em tempos de crise podem se transformar num grande “pesadelo”. Exemplo disso foi a decisão do governo de exigir licenças prévias para importações, que chegou a ser anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Teve de ser suspensa dias depois. Segundo o Ministro da Fazenda, porque ela foi mal compreendida, mas na verdade ela é o contrário. Ela foi muito bem compreendida quanto aos efeitos práticos. Foi uma medida tomada sem diálogo e negociação, sem avaliação das consequências, sustentada apenas em dados desfavoráveis da balança comercial de apenas três semanas. A explicação posterior, a de que o governo queria apenas tomar conhecimento estatístico quanto às importações, não convenceu.

 

A verdade é que a medida foi no mínimo precipitada e consequentemente inaceitável. Tal situação põe sob suspeita o conhecimento da realidade do mercado, do dia-a-dia das organizações e das implicações em toda a cadeia produtiva por parte do Governo Federal. É necessário que o idealismo não se sobreponha à razão, principalmente quando lidamos com questões como crescimento e produção. Afinal, somos ou estamos no G-20? Somos parte efetiva ou apenas observadores distraídos e desconectados do mundo globalizado?

 

É necessário que os produtores de leis e regulações entendam que a dinâmica do mundo globalizado, seja como importadores ou exportadores, tende a operar cada vez mais sob condições igualitárias de regulação, operações logísticas e comerciais. O mundo produtivo cada vez mais reduz seus estoques, aproveitando-se da tecnologia disponível e da inteligência aplicada em otimização de processos e logística. Trata-se de ciências exatas. É a matemática a favor dos resultados saudáveis para o mercado democrático. Trabalhar com inventário reduzido é um fator importante e de sucesso para a competitividade mundial.

 

Não podemos retroceder dez anos e aceitar que se agreguem tempos burocráticos e sem nenhum valor para a cadeia produtiva, diante de tanta tecnologia de informação e inteligência logística a nossa disposição. As empresas investiram e continuam investindo muito para tornar os processos cada vez mais aprimorados, rápidos, eficientes e principalmente eficazes. Alem de ser um retrocesso administrativo, por certo adicionaria custos para a cadeia de suprimentos e consequentemente para os produtos finais.

 

Certamente os importadores aqui e os exportadores lá fora teriam que rever as políticas e aumentar inventários para compensar a burocracia de uma aprovação prévia de LI´s (Licenças de Importação). O aumento de inventário representa um aumento de custos nos processos de armazenagem e movimentação de seus materiais. Esse incremento diminui a disponibilidade de caixa das empresas e, consequentemente, requer financiamentos adicionais, que já estão escassos.

 

Enfim, se esta medida permanecesse, seria um ato na contramão de toda a lógica de que neste momento precisamos reduzir despesas, evitar custos que não agregam valor, simplificar e acelerar os processos e pôr nossa criatividade a favor da manutenção do crescimento econômico. Que possamos num futuro próximo olhar para trás e concluirmos: “O Brasil está maduro, e é um só, sejam regulados ou reguladores”.

 

O fato é que todos afundaremos nesta viagem se não aprendermos a falar uns com os outros e entendermos que a verdade nunca esteve e nunca estará apenas em um dos lados. É preciso exercitar o equilíbrio para verdadeiramente usufruirmos da inteligência que acreditamos ter.

 

Aurimar José Pinto é presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed). ([email protected])

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