É o Caos?

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Nildo Leite

Há algum tempo atrás ficava a me perguntar, quando questionava um vendedor sobre sua empresa e/ou os produtos/serviços que estava a comercializar e ele não sabia me responder, se era por negligência dele ou era por que a sua empresa não o orientava o bastante para dirimir as dúvidas dos compradores. Aí eu pensava: se for por culpa dele, por que a tal empresa tinha no seu quadro uma pessoa que a representa tão mal? Se for por falha da empresa, como ainda sobrevive? Buscava as respostas, e encontrava várias, mas só queria acreditar que isso iria mudar, pois, com a competitividade aumentando, com o crescimento das exigências cada vez maior dos mercados etc, as pessoas e as empresas, de uma forma geral, iriam melhorar sua atuação espontaneamente ou por pressão das variáveis do macro e do micro ambiente de marketing.

O tempo foi passando, uma nova ordem para o mercado foi sendo disseminada, novas ferramentas para a melhoria na performance empresarial foram grandemente disponibilizadas para o acesso de todos, a conscientização tornou-se palavra de ordem, etc. Tudo foi acontecendo para se ter uma melhoria nas relações comerciais, para que os negócios passassem a ser realizados com competência e transparência, para que os princípios da honestidade e da ética prevalecessem, para que houvesse tanto por parte das empresas e de compradores confiança mútua.

Em verdade, o que estamos vendo hoje? Será que aquele cenário realmente mudou?

Mudou sim e para muitos compradores-usuários mudou para pior.

Hoje, boa parte das relações comerciais é tumultuada. A desconfiança, as reclamações, as questões judiciais imperam por uma serie de razões. Vamos citar algumas: vende-se o que não se tem para entregar, vende-se uma coisa e quer entregar outra, vende-se produtos com defeito e não querem se responsabilizar/trocar, vende-se serviços e não se cumpre o prazo acordado para a sua conclusão, vende-se serviços que são interrompidos por culpa do próprio vendedor e o comprador-usuário é cobrado pelo tempo do serviço não prestado, vende-se serviços de proteção e de segurança e quando se precisa utiliza-los são tantos os entraves e senões que muitas vezes só são resolvidas na justiça (e às vezes o reclamante morre e não obtêm o seu direito), vende-se sonhos que se transformam em pesadelos com magistral abordagem e comunicação sobre as características e benefícios dos produtos e/ou serviços, e depois enganam, negam o que venderam, “empurram com a barriga” os problemas e não os solucionam, fazendo das pessoas e das empresas “joguete”, “bola” etc. E o que é pior: muitas destas péssimas empresas, a maioria prestadora de serviços, ou atuam em monopólios, e aí o comprador-usuário fica sem opção, ou em oligopólios com bastante semelhança nas operações, nas atitudes, na falta de seriedade e comprometimento com seu mercado.

Já passou da hora dessas organizações e/ou dos maus dirigentes saírem ou “serem saídos” do mercado.

Nildo Leite é consultor de empresas, empresário-lojista, palestrante, coordenador e professor de cursos de pós-graduação e graduação em instituições de ensino em Salvador-Bahia nas áreas de Gestão Estratégica e Marketing. ([email protected])