Emissão de cheque sem fundo causa prejuízo de R$10 bilhões

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O volume de cheques sem fundos em fevereiro deste ano foi recorde para o mês desde 1997, de acordo com levantamento realizado pela Checkok, empresa de verificação eletrônica de crédito. Do total de 158,4 milhões de cheques compensados, 8,5 milhões, 5,3%, foram devolvidos. Em fevereiro de 1997, o índice foi de 1,5%, e, no ano passado, de 5%. O total de cheques devolvidos por falta de fundos no País teve uma variação de 6,2% no mês passado, na comparação com fevereiro de 2003, de acordo com o levantamento. Em fevereiro deste ano, 54 cheques em cada lote de mil compensados eram frios. No mesmo mês de 2003, dos 180,3 milhões de cheques trocados, 9,1 milhões, 5%, ou 50 cheques em cada mil foram devolvidos pelo mesmo motivo.
Na comparação entre os meses de fevereiro e janeiro de 2004, quando 55 cheques em cada mil foram devolvidos por insuficiência de fundos, houve uma variação negativa de 1,8%. Os 8,5 milhões de cheques devolvidos por falta de fundos em fevereiro deste ano somaram R$ 4,7 bilhões, alcançando o total de R$ 10 bilhões nos dois primeiros meses do ano.
Nos últimos 12 meses, foram compensados 2,2 bilhões de cheques e, desse total, 117,8 milhões 5,3% foram devolvidos por insuficiência de fundos. Em São Paulo, estado com maior volume de cheques compensados (cerca de 63 milhões), de cada mil cheques compensados em fevereiro, 47 foram devolvidos por falta de fundos, revela o levantamento. Esse total é 1,7% maior do que a variação registrada em fevereiro de 2003, quando foram devolvidos 47 documentos por insuficiência de fundos a cada lote de mil devolvidos. Em relação a janeiro de 2004, quando foram devolvidos 49 cheques em cada mil depositados, houve variação negativa de 3,7%.
As cinco regiões do País apresentaram alta na variação do volume de cheques sem fundos, na comparação entre os meses de fevereiro de 2004 e 2003: região Norte, 17,7%; Centro-Oeste, 13,7%; Nordeste, 11,2%; Sul, 4,2% e Sudeste, 3,8%. Em relação ao mês de janeiro de 2004, duas regiões registraram alta na variação: Sul, 0,1% e Nordeste, 1,4%, Norte, -0,5%, Centro-Oeste, -5,2% e Sudeste, -2,4%, tiveram baixa na variação do volume de cheques devolvidos por insuficiência de saldo. Os dados do levantamento da Checkok têm como base os dados fornecidos pelo Banco Central e referem-se aos cheques sem fundos devolvidos pela primeira e segunda vezes, além das devoluções pelas alíneas 13 (conta encerrada), 14 (prática espúria) e 21 (contra-ordem ou sustação de pagamento).
“O aumento da variação do volume de cheques sem fundos na comparação entre os meses de fevereiro de 2004 e 2003 deve-se em parte pelo baixo poder aquisitivo atual do consumidor, já que a economia não se recuperou na velocidade esperada”, avalia o analista financeiro da ABM Consulting Gustavo Pedreira. “Outro motivo são as altas taxas de juros na economia como um todo, mas principalmente as exorbitantes taxas do cheque especial, que estão entre as maiores do mundo, complementa”. O analista ressalta a diminuição do valor monetário total dos cheques trocados, que caiu de R$ 92 bilhões, em 2003, para R$ 76,5 bilhões, em 2004.
“É um outro indício de retração econômica”, afirma Pedreira. “Se comparada a inadimplência entre fevereiro e janeiro pode-se perceber que não houve variação na taxa de inadimplência. Algo mais ou menos esperado já que, historicamente, os meses de janeiro e fevereiro apresentam índices de inadimplência próximos.” O valor médio dos cheques em fevereiro foi de R$ 483,00, variação negativa de 1,32% em relação a janeiro e negativa de 5,43% em relação a fevereiro do ano passado. Janeiro e fevereiro deste ano apresentaram valores médios de R$ 489,00 e R$ 511,00, respectivamente. A diferença nas comparações anuais se deve principalmente à inflação no período, calculado pelo IGP-DI em 5,70% e pelo IPCA, índice oficial do governo, em 8,36%.
Para os especialistas, o comércio pode se prevenir contra golpes tomando alguns cuidados básicos, como: Não aceitar cheques de terceiros, que podem ser fruto de fraude, furto ou roubo; solicitar a carteira de identidade do emitente e/ou cartão do banco. Não aceite esquecimento como justificativa; solicitar a assinatura do emitente na frente e no verso do cheque; solicitar telefone fixo (residencial, comercial ou de recado) para confirmar logo em seguida. Não aceite referência de celular, telefone comunitário ou pager. Na consulta compare o número do cheque impresso com o que aparece registrado em caracteres magnéticos listrados na parte inferior da folha (2º bloco de algarismos da esquerda para direita). Estas simples medida pode evitar o recebimento de cheque fraudado.