Está no DNA

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Principalmente nas cidades mais urbanas e com uma sociedade conectada, há hoje um novo modo de vida. As pessoas têm percebido que não há tanta necessidade de consumirem da mesma forma como antes. Trabalhar apenas para conquistar coisas já não faz mais tão sentido e procuram por formas de aproveitarem a vida, de um jeito prático e cômodo. Dessa forma, a economia compartilhada se tornou uma opção, que se encaixa nesse novo padrão de consumo. “Para quê vamos juntar dinheiro ou nos endividarmos para comprar um carro se podemos compartilhar um quando precisarmos?”, questiona Jorge Pacheco, CEO e fundador da Plug, empresa de coworking. Em entrevista exclusiva à ClienteSA, ele conta mais sobre essa economia, suas vantagens e como conquistar consumidores.
Qual é o cenário que propicia o avanço da economia compartilhada?
Pacheco: O “viver” passou a ser mais importante que o “ter”. Isso muda os sonhos e as ambições das pessoas, principalmente nas novas gerações. Não precisamos mais trabalhar anos juntando dinheiro para, quem sabe um dia, poder adquirir tal coisa. Através da economia compartilhada temos acesso às coisas hoje e realizamos nossos sonhos agora. Por exemplo, para quê vamos juntar dinheiro ou nos endividarmos para comprar um carro se podemos compartilhar um quando precisarmos? Além disso, não teremos todo incomodo de contratar seguro, pagar IPVA, etc. E para quê vamos gastar dinheiro montando um novo escritório que talvez fique pequeno se o negócio der certo, se pudermos estar em um coworking com uma linda sala pronta e com toda a infraestrutura funcionando sem termos que investir em reforma, decoração, etc? Além disso, ainda temos uma comunidade que pode desenvolver projetos conosco, gerar negócios, fazer amigos.
Seria essa uma nova forma de consumo que as pessoas encontraram?
Sim, é o consumo da experiência ao invés do consumo da posse. Queremos usufruir e percebemos que não precisamos ter. Ainda mais, hoje em dia, com o tanto de informações e coisas à nossa disposição queremos sempre algo novo. Não faz mais sentido gastar dinheiro com algo que depois vai ficar parado e ocupando espaço. 
Em sua opinião, essa economia ditará o futuro do mercado e da forma de consumo?
Sem dúvidas, acredito que já esta ditando. Hoje todos já ouvimos que a maior empresa de hospedagem não possui nenhum quarto, o maior grupo de mídia não produz nenhum conteúdo, entre outros. Daqui para frente vai ser cada vez mais assim. As novas gerações já nascem com o DNA da economia compartilhada e o difícil vai ser convencer eles a imobilizarem dinheiro, comprando algo sozinhos, ao invés de compartilharem.
Qual é o perfil do cliente que hoje se interessa por esse tipo de economia?
Acredito que hoje ainda está predominantemente concentrado no público entre 18 e 35 anos e urbano. Mas o conceito está se espalhado e as mais diversas pessoas vêm testando e se tornando adeptas. A possibilidade de ter a experiência, sem precisar adquirir, abre muitas portas e é possível fazer muito mais coisas dentro do orçamento de cada um. 
Ao criar uma empresa baseada em economia compartilhada, o que mais é importante levar em consideração, principalmente com relação ao público?
O mais importante é oferecer a melhor experiência de forma que o cliente não tenha que se incomodar e nem perder tempo para usufruir. Certamente, o Airbnb não seria tão procurado se o cliente tivesse que se responsabilizar por fazer a faxina na casa após usar. Ou se o passageiro do Uber tivesse que pagar em dinheiro. Ou se o usuário do coworking fosse responsável em contratar sua própria internet e adquirir suas cadeiras. Tem que ser fácil para acessar, “descartável” para consumir e simples para pagar. Essas características podem ser muito bem supridas com um bom aplicativo intuitivo que leva à contratação em poucos cliques, um serviço bem prestado e sem responsabilidades ao usuário e um bom meio de pagamento.
Como fidelizar o público com esse serviço? É preciso convencê-lo de alguma maneira no começo?
Para fidelizar acredito que a chave é sempre manter uma boa experiência ao usuário. Estar sempre se atualizando para atender as novas demandas e manter os preços competitivos. A economia compartilhada é feita por pessoas e é importante que a plataforma estabeleça as regras e o treinamento necessário para as relações funcionarem bem. Todo novo produto/serviço tem um tempo para convencimento. Nesse caso, algumas empresas já tiveram o papel de abrir o mercado e ensinar sobre as vantagens de compartilhar. Para ajudar nisso, uma das ferramentas mais importantes e fundamentais é a avaliação tanto dos usuários quanto dos prestadores de serviço. Ver avaliações positivas é o que da a segurança as pessoas para contratarem.