Estamos prontos para o próximo século?

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Autor: Roberto Kawakami
Desde o lançamento do primeiro automóvel em 1886, por Karl Benz, e a instauração da produção mundial em massa, por Henry Ford, em 1914, os fabricantes têm trabalhado constantemente pelo aprimoramento dos veículos motorizados e pelos processos que são utilizados para produzi-los. Preocupações com a segurança, questões ambientais e demandas dos consumidores por mais velocidade e conforto são alguns dos fatores que têm impulsionado os avanços na indústria automobilística. A demanda por volume, velocidade e custo também vem forçando os fabricantes a otimizarem o processo de produção. Hoje, empregamos robótica, sistemas de produção otimizada e montagem celular, que racionalizam e aceleram as operações na área de produção. Embora a tecnologia tenha mudado ao longo do tempo, a meta de produção eficiente e de baixo custo se mantém constante, e buscando melhorias constantemente.
Os elementos-chave da indústria automotiva atual envolvem muito mais do que porcas e parafusos. Hoje, os eletrônicos estão fortemente integrados às peças que compõem os sistemas de motor, transmissão, chassis e freios de um veículo, criando um componente ainda mais complexo. Exemplo disso são sensores e outras peças eletrônicas que devem ser incorporados a componentes “comuns”, como juntas de cabeçote e eixos, de maneira que os dados sobre cargas das rodas, níveis de torque e condições térmicas possam ser reenviados para o veículo, a fim de melhorar a segurança e a dirigibilidade.  As inovações são fundamentais para melhorar não só os componentes e sistemas automotivos, mas também para agilizarem as etapas envolvidas na sua fabricação. O controle do processo, desde a especificação das peças, aquisição, montagem e entrega deve ser planejada e sequenciada para que não haja uma ruptura nesta cadeia, o que compromete os níveis de estoques, alocação de capacidade produtiva e entregas, além de gerar impactos financeiros negativos consideráveis. 
Por outro lado, líderes do setor automotivo atual sabem que apenas entender como forjar, fabricar ou montar uma peça para atender especificações dos clientes não é o suficiente. É fundamental treinar a mão de obra para compreender completamente o valor de operação e as características de cada peça. Os funcionários devem se perguntar constantemente quais parâmetros de funcionamento de cada peça podem melhorar o funcionamento geral dos veículos dos quais fazem parte. Em seguida, eles podem apresentar as melhorias aos clientes. Pensamentos como esse permitem aos fabricantes visionários o acompanhamento do ritmo da evolução das necessidades dos Fabricantes de Equipamentos Originais (OEMs), dos consumidores e da indústria como um todo.
Ferramentas de integração da cadeia de suprimentos possibilitam a troca mais dinâmica de informações, documentos, pedidos de compra, revisões de engenharia, registros de não conformidades e indicadores de qualidade ou de performance. Estas ferramentas eliminam a troca de e-mails, faxes e telefonemas o que aumenta a produtividade, a precisão na identificação e a resolução de problemas. Um resultado importante deste tipo de ferramenta é a transição de um ambiente reativo para um colaborativo.  Mas, como o fabricante hoje garante, então, que sua força de trabalho mantenha a visão ampla necessária para a inovação?
Em primeiro lugar, é fundamental que a administração adote os elementos-chave de inovação através da manutenção de um diálogo colaborativo com clientes, fornecedores e parceiros. As organizações devem compartilhar informações de negócios com toda a força de trabalho, além de incentivar os funcionários a apresentarem novas ideias e recompensá-los por assumir riscos calculados. Em segundo lugar, os fabricantes de automóveis de hoje devem garantir que estão trazendo os melhores e mais brilhantes funcionários para fazer parte de suas equipes. 
 
Muitas empresas ainda estão lutando para preencher as lacunas criadas quando uma enxurrada de experientes profissionais do setor automobilístico deixou a indústria, durante as crises econômicas de 2007 a 2009. Convenientemente, os líderes do setor têm podido contar com a mesma tecnologia utilizada para melhorar seus processos de produção para atrair e manter funcionários com a experiência necessária. O processo de recrutamento é particularmente fácil para as empresas que utilizam as mais recentes soluções de tecnologia de recursos empresariais (ERP). 
Aplicações de gestões atuais devem se adequar a este novo cenário trazendo para o ambiente de trabalho a mesma experiência que os funcionários têm no seu dia a dia: a facilidade de uso sem necessidade de treinamento intensivo; o compartilhamento de informações ou a formação de grupos de trabalho; a gestão pró-ativa, que efetiva a notificação das aplicações aos usuários ou gestores na ocorrência de um evento; e a extensão da experiência de trabalho para dispositivos móveis. Criados com iPhones, iPads e mídias sociais, os novos funcionários das áreas de produção já sabem como a tecnologia lhes permite acessar e utilizar a informação em tempo real em suas vidas pessoais. E agora, mais de um século depois do início das linhas de montagem, a força de trabalho em evolução está pronta para usar as ferramentas de sua geração para impulsionar a inovação na indústria do próximo século.
Roberto Kawakami é solution consultant da Infor

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