Frete grátis: o câncer do e-commerce

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“O frete grátis é hoje o câncer da indústria de comércio eletrônico, uma doença silenciosa que pode minar o crescimento sustentável do setor”, afirma Mariano Gomide, presidente CEO da Vtex. O custo da logística e frete cresce, pela inflação, 15% ao ano, ou seja, 9% a mais que o dos produtos. Com isso, quanto mais se pratica tal benefício, menor fica a margem da indústria, aniquilando a capacidade de investimento da cadeia.
Gomide explica que no e-commerce as práticas comerciais são orientadas pela tática, e não pela estratégia, o que acaba trazendo problemas. “Como o e-commerce é gerido por executivos (os donos dos varejos ainda estão focados nos seus negócios do mundo físico), bater a meta de fim de ano é mais importante que construir um crescimento”, elabora. O executivo acredita que isso acabará dando déficits em longo prazo.
“Eu defendo que haja um debate intenso sobre este tema. Para o bem do consumidor e para o bem da indústria, esta política tem que acabar”, insiste. Para exemplificar sua afirmação, retoma o momento em que os shoppings começaram a cobrar pelo estacionamento. “Os shoppings ficaram vazios depois que começaram a cobrar pelo estacionamento? Não!”, provoca. Ele explica que o aluguel mais alto que os shoppings cobravam das lojas por causa do estacionamento grátis era repassado para a margem do produto, fazendo com que, quem ia ao shopping para fazer compras pagasse mais caro para que outros pudessem ir ao local apenas para passear. “Estava desarbitrado”, afirma.
De acordo com ele, o mesmo ocorre no mercado de e-commerce, onde o frete grátis é calculado como custo. O presidente diz que a indústria de fornecedores que briga para que o seu produto tenha o mesmo preço entre varejo on-line e físico é quem está promovendo o frete grátis. “Correto seria ocorrer a liberação dos preços pelos fabricantes para que o e-commerce pudesse vender ao preço de seu interesse (mais barato)”, instiga. Ele sugere que o preço do desconto seja repassado a programas de fidelidade. “Acredito muito que o futuro do e-commerce está em programas de fidelidade. Estes programas poderão tratar o preço do produto diferenciado para todos os tipos de clientes”. Os shoppings continuam cheios. O e-commerce pode e deve viver sem o frete grátis.