Gamificar para engajar

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Uma das evoluções que mais caracteriza a vida atual e moderna é a rápida expansão dos dispositivos mobile. Espera-se que cada vez mais as pessoas terão uma vida móvel. Suas atividades, desde comunicação, compras, localização, até diversão, trabalhos, entre outros, serão realizadas por smartphones e tablets. Atentas a essa nova realidade, as empresas logo começaram a investir em ferramentas com a qual pudessem se aproximar e se fazer presentes nesse ambiente, por meio, principalmente, de aplicativos.
Apesar de a sua criação estar mais acessível do que antes, engana-se aquele que pensa ser uma estratégia simples, bastando criar a ferramenta, lançar no mercado e esperar que os consumidores baixem. Na verdade, o processo pode até ser bem mais complicado, pois tendo em vista a quantidade de aplicativos que estão disponíveis para o público, chega a ser um grande desafio para as empresas conseguirem fazer com que os clientes baixem seu produto e o utilizem por um bom tempo. Assim, os negócios passaram a utilizar outro método para conseguirem bons resultados neste mercado, o uso da gamificação. “Ela faz com que o usuário note mais o aplicativo, e use por mais tempo. Então, nada mais é do que conseguir dobrar a capacidade de permanência do cliente no app, porque também aumenta o engajamento”, afirma Lucas Melo, co-fundador do aplicativo MeSeems.
Aliás, Melo explica que foram os próprios usuários que fizeram da gamificação uma estratégia para as empresas terem maior retorno com os aplicativos, quando demonstraram maior interesse por aqueles que tinham uma estrutura mais dinâmica, de competição, na qual poderiam ainda brincar. “A partir desse ponto que o usuário colocou no mercado, viu-se a necessidade de se colocar essa técnica nas ferramentas mobile criadas”, adiciona. Porém, ela não pode ser a única estratégia de uma empresa, mas sim fazer parte de um grupo de planejamento de marketing, pois ao criar um aplicativo, a empresa tem o gasto da implementação, dos downloads feitos pelos clientes e depois o custo para mantê-lo engajado. Então, quanto menos o cliente utilizara ferramenta, maior será o gasto de download para conseguir novos usuários.
Além disso, ao realizar uma gamificação bem feita, a empresa ainda tem a oportunidade de aprender com ela. Independente de qual seja o projeto inicial, se é aumentar engajamento, o tempo de uso, ou a base de clientes, cada informação passada ao consumidor gerará outra em troca, servindo para a inteligência do aplicativo. Por exemplo, quando um usuário do Waze fornece a informação sobre algum acidente na pista ou avisa que o mapa está errado, ele acaba ajudando para que a ferramenta tenha um melhor desempenho. “Toda gamificação bem feita não serve apenas para o usuário gostar, pois a empresa pode tirar conclusões dela depois de criado o aplicativo”, declara o executivo. Ou seja, é um feedback que gera um ciclo de dados, enviados da empresa para o cliente e dela para o negócio. “No nosso aplicativo, o usuário da minha base informa a altura dele e, através da gamificação, vamos informar a ele se ele está abaixo ou acima da média da população. Através da gamificação, a gente recebe informações dele e o mune de conhecimento que ele goste de receber.”
Ao final, não importa a forma como a gamificação será utilizada no aplicativo e qual seu objetivo, mas a principal coisa é que ela deve ser construída com qualidade. “É válido que uma empresa queira investir em gamificação, mas tem que fazer bem feito. Não dá para simplesmente desejar criar a ferramenta, tem que entender qual é o problema do usuário, o que ele gosta ou não do aplicativo, o que, através da gamificação, vai conseguir fazer com que ele passe a gostar de algo que não gostava antes, tem que ser algo construtivo dos dois lados”. O usuário precisa sentir que ele apenas não só ajuda, como também é ajudado. “Se o MeSeems pudesse deixar um aprendizado é: o cuidado com o usuário parece, às vezes, um pouco caro e trabalhoso, mas tem retorno, porque ele vai te recomendar. Os principais app não fazem marketing, as propostas de valor são tão boas, que os próprios clientes os distribuem”, finaliza Melo.