Homens buscam diversão, mulheres querem saúde

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Hoje, 50% das mulheres paulistanas, que praticam atividades físicas, estão em busca da manutenção da saúde, enquanto que 45,2% dos homens, que fazem exercícios, buscam apenas se divertir. Estes são alguns dos resultados apontados na recém-divulgada pesquisa “A Influência de fatores sócio-demográficos, econômicos e ambientais na escolha da atividade física e local para a prática esportiva”, realizada pelo Provar – Programa de Administração de Varejo, da Fundação Instituto de Administração – FIA, maior centro brasileiro de estudos sobre o mercado de consumo, em parceria com a Canal Varejo – Consultoria: Mercado de Bens e Serviços.

A pesquisa revela, por exemplo, que entre as atividades físicas mais praticadas estão a simples caminhada (50%), respondendo pelo primeiro lugar na preferência, seguida pelo tradicional futebol (26%). Além disso, para 47,2% dos entrevistados, a preocupação com a manutenção da saúde está em primeiro lugar, seguida de diversão (33,8%) e perder peso (27,8%). “Os dados demonstram o surgimento de uma população de cidadãos mais conscientes”, explica o professor Claudio Felisoni, coordenador geral do Provar. “As pessoas aprenderam a relacionar o impacto de seu ritmo de vida ao desenvolvimento das doenças modernas e querem evitá-las”, acrescenta o professor.

Já sobre os locais da prática dos exercícios, os dados indicam que 31,6% dos entrevistados costumam fazer uso das ruas e avenidas do município, reflexo da carência de investimentos governamentais em parques esportivos coletivos, que aparecem em terceiro lugar na preferência com apenas 15,4%. Em segundo lugar figuram as academias privadas, com 22,4%. Percebe-se ainda que, de modo geral, 57,6% dos entrevistados encontram-se satisfeitos com o ambiente escolhido, sendo que apenas 15,6% deram sinal do contrário. Vale ressaltar que 88% responderam que nem cogitam a possibilidade de migrar para um novo local de prática esportiva. “Isso mostra um nível de fidelidade extremamente elevada”, afirma Claudio. “Este resultado, aliado à falta de estrutura na cidade, incentiva a proliferação de estabelecimentos esportivos privados”, complementa.

Diferenças – Quando relacionados a grupos sócio-demográficos, os resultados da pesquisa apresentam variáveis interessantes. Por exemplo, a escolha da atividade física independe do extrato social a que um indivíduo pertence, sendo que membros de todos os grupos apontaram com maior freqüência a prática de caminhada, seguida pelo futebol. “Estes resultados questionam a idéia de que os mais abastados preferem os chamados ‘esportes de elite’, como o tênis, o golf e o pólo”, afirma Claudio. As relações de gênero já apresentam mais diferenças nos resultados. Este é o caso, por exemplo, da escolha da atividade física. Enquanto 62,8% das mulheres escolhem a caminhada como atividade preferida, o futebol, com 48%, é o campeão da preferência masculina. Aliás, dos entrevistados, apenas 37,2% optam pela caminhada, índice bem inferior ao do público feminino.

Comparando os resultados em relação à faixa etária dos indivíduos também encontramos resultados interessantes. Enquanto o futebol é muito praticado entre os jovens, diminuindo com a idade, a caminhada apresenta um processo inverso, popularizando-se quando as pessoas se tornam mais maduras. Os objetivos da prática esportiva também mostram-se extremamente influenciados pela idade. Para os jovens a diversão é a grande impulsionadora, ao passo que para os mais maduros perder peso e manter a saúde ganha relevância.

“Atualmente, este mercado encontra-se altamente pulverizado, constituído essencialmente por operadores individuais de micro e pequenas empresas, com mínima estrutura gerencial. Entretanto, já começam a despontar no mercado brasileiro as primeiras redes de academias, com gestão profissionalizada, mas que, por fatores estruturais e conjunturais, enfrentam dificuldades para financiar as estratégias de crescimento”, acrescenta o professor. “Nossa proposta é oferecer subsídios para reverter este quadro e ajudar na consolidação do mercado”, diz o pesquisador. Segundo dados da Associação Brasileira de Academias – ACAD, existem aproximadamente 7 mil academias espalhadas por todo país, que empregam mais de 120 mil pessoas, atendendo a um número estimado de 2,8 milhões de pessoas, que geram um faturamento anual em torno de R$ 1,5 bilhão.