Hora de sair do óbvio

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O maior desafio na hora de inovar está na criação de uma cultura dentro da empresa. Para chegar a esse cenário, o professor Fabian Salum, professor da Fundação Dom Cabral, explica em entrevista exclusiva ao portal ClienteSA que é preciso primeiro deixar claro no planejamento que cada área deverá ter projetos de inovação, depois divulgar para todos os colaboradores e por fim apoiar essa estratégia. “Esse último ponto é o mais importante. É crucial ter um patrocinador, na figura de um departamento ou mesmo do presidente, que faça a empresa sair do modelo tradicional de gestão”, reforça.

 

O professor explica também que é importante ter todos os colaboradores envolvidos, pois a complementaridade de conhecimento e experiências na geração de ideias é de grande riqueza para descobrir algo diferente do tradicional. “É preciso ter ideias diferentes para sair do mesmo”, justifica. Salum acrescenta que os clientes também devem ser considerados no processo de inovação aberta, até como forma de estar mais próximo. “Essa estratégia permite ter produtos com aderência ao cliente, além de mostrar a preocupação em se relacionar com ele. No final, a empresa aumenta o grau de fidelização”, complementa. Na entrevista, o professor fala sobre os caminhos para inovar, o atual cenário no Brasil e como utilizar a inovação na gestão de clientes.

 

ClienteSA – Qual o caminho para inovar?
Fabian Salum: A organização que optar por ter uma gestão pela inovação precisa ter alguns pontos bem alinhados para que a estratégia se materialize. Primeiro é preciso deixar claro no planejamento que cada área deverá ter projetos de inovação, depois divulgar para todos os colaboradores e por fim apoiar essa estratégia. Essa última fase é a mais importante. É crucial ter um patrocinador, na figura de um departamento ou mesmo do presidente, que faça a empresa sair do modelo tradicional de gestão. Essa fomentação deve se apoiar no discurso/motivação, na gestão financeira dos projetos e na medição dos resultados. A gestão pela inovação só acontece se de fato houver esses processos.

 

Qual a importância dos colaboradores nesse processo?

A complementaridade de conhecimento e experiências na geração de ideias é de grande riqueza para descobrir algo diferente do tradicional. Isso vem com o trabalho junto às diversas áreas da empresa. Uma forma de fazer isso é com os fóruns de discussão em cima de problemas, induzindo os colaboradores a pensarem em alternativas. É preciso ter ideias diferentes para sair do mesmo.

 

As empresas já estão cientes da importância da inovação para os negócios?

As grandes empresas, principalmente as multinacionais, estão cada vez mais percebendo e tomando atitudes pela inovação, inclusive com ações para que essa estratégia se multiplique e amadureça por toda a organização, como apontam pesquisas do núcleo Bradesco de Inovação da Fundação Dom Cabral. Já a grande maioria das médias empresas ainda não despertou para esse movimento. Um dos motivos é que ainda não compreendem o assunto – como se dá a inovação, que área podem se beneficiar, por onde ela passa, entre outros aspectos. Elas não enxergaram que podem ganhar vantagem competitiva e serem reconhecidas como empresas diferenciadas. Já as de pequeno e micro porte dependem muito mais do setor em que atuam.
Importante deixar claro que a gestão pela inovação pode ser trabalhada em qualquer organização, não importa tamanho ou setor. Cabe aos gestores implantarem essa estratégia como mais um processo, tornando uma rotina.

 

Como a inovação pode auxiliar na gestão de clientes?

Isso pode acontecer por meio do envolvimento dos clientes no desenvolvimento dos produtos, utilizando o conceito de inovação aberta. Essa estratégia permite ter produtos com aderência ao cliente, além de mostrar a preocupação em se relacionar com ele. No final, a empresa aumenta o grau de fidelização.

 

Qual a melhor saída: deixar o que já existe ou agregar o novo?

Depende de uma análise estratégica, com base em inteligência e percepção. Quando for mudar algo, a empresa precisa estar bem ciente do momento em que irá fazer isso. Aqui vale a história de que cada caso é um caso. Hoje, as inovações incrementais representam cerca de 80% na grande maioria das organizações, enquanto as inovações radicais chegam ao máximo a 20%. Embora as empresas tenham que ter o cuidado de não construir o novo todos os dias, é nas radicais que elas saem na frente com ganho de imagem, mercado e receita. A receita de sucesso é administrar no curto prazo as inovações incrementais, pois no dia-a-dia, elas é que trarão eficiência e otimização de custos, gerando ganhos para serem investido no longo prazo em inovações radicais.