Inovar ou… inovar!

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Se até bem pouco tempo atrás, a opção por ser inovador era uma estratégia adotada por poucos, vista até como um risco desnecessário por alguns, hoje esse quadro mudou completamente diante da profunda transformação que o mercado de consumo passou nos últimos três anos, principalmente com o avanço do digital e o empoderamento do cliente. Frente a tantas mudanças, as empresas se viram impelidas a inovar cada vez mais, até por uma questão de sobrevivência. Hoje, já não há outra saída a não ser se diferenciar, se antecipando ao mercado e reinventando a forma de se relacionar com os clientes. “Hoje, em virtude do dinamismo das economias digitais e do ritmo das inovações disruptivas que surgem a todo momento, a grande verdade é que os empreendedores não têm mais escolha frente ao progresso: ou inova-se ou o negócio está fadado a ser superado pela concorrência”, alerta Latif Abrão Jr. é presidente da ADVB.
Para Marcelo Guerra, chefe do departamento de design da Nexaas, o fato de precisar se reinventar é o maior desafio enfrentado pelas empresas nos últimos anos, pois quem não conseguir “vai desaparecer gradativamente”. “É uma fase difícil, é preciso organização, disciplina, dedicação, ferramentas funcionais, pessoas certas pra poder conseguir trazer esse tipo de pensamento da inovação. Em contrapartida, após implementada a mudança de cultura, a empresa ganha grande vantagem competitiva.”
Ele explica que todo esse processo vai trazer valor, não só para a companhia, mas também para os clientes. “É possível entregar mais rápido, com menos erros, adquirir facilidade de comunicação, desenvolver produtos melhores, tomar decisões mais ágeis e mais assertivas porque a informação e a inteligência estarão disponíveis”, aponta.
Porém, para que isso seja efetivo, antes de sair inovando, é importante pensar que não basta simplesmente criar algo novo. Segundo Sergio Dias, sócio da Sdias Consultoria e prestador de serviços de consultoria no Sebrae/RJ, é preciso que esse algo novo seja consumido pelo mercado e resulte em riqueza para o empreendimento. “É aí que entra a figura do cliente.”
O especialista pondera que antes de qualquer ação, é fundamental conhecer melhor quem é o cliente da empresa e suas necessidades. “A análise detalhada do perfil de seu cliente irá lhe permitir identificar a natureza de sua demanda e, mais do que isso, irá revelar demandas não atendidas que são a base da criação de novos produtos e serviços. Portanto, as ideias surgirão da identificação de lacunas no mercado, que são as demandas não atendidas.” Dias reforça que tudo gira em torno da preocupação e da necessidade de atender e manter os clientes, colocando-os no foco do negócio. “Esse é o propósito da Inovação. Atender às demandas dos clientes e mantê-los encantados”, completa.
A opinião é compartilhada por Gabriel Rossi, professor de marketing pela ESPM e diretor-fundador da Gabriel Rossi Consultoria. Ele reforça que, atualmente, se faz necessário encantar os clientes e ir além dos detalhes. “Superar expectativas é uma forma de fazer com o que seu público pague o que for para ter uma nova experiência.” Mas antes disso, ele destaca que as empresas precisam estar atentas ao que estão propondo, se existe eficácia ou não.
De acordo com o executivo, a nova realidade é que as marcas não controlam o relacionamento. Agora, os consumidores fazem isso. “É preciso pensar em maneiras completamente diferentes e trabalharmos muito mais duro para nos mantermos únicos e especiais. O comportamento do consumidor tem mudado rapidamente e isto exige uma visão totalmente nova por nossa parte. Precisamos agir com mais fluência, abertamente e tomando todos os passos com o consumidor através da escuta ativa e de uma postura que não acredita em nada garantido”, comenta.
Diante disso, Guerra acrescenta que quem dita o mercado são os clientes. “E apesar de a evolução ser rápida, as companhias ainda tem tempo, ainda que pouco, para se reinventarem. Todas as empresas têm capacidade para isso, precisam apenas colocar como prioridade. Há espaço para todos que souberem disputar por ele”, resume.
Confira matérias sobre o assunto:

Inovação é o motor das organizações

A grande verdade é que os empreendedores não têm mais escolha frente ao progresso
Propósito de inovar deve ser atender às demandas e manter os consumidores encantados
A inovação deve ser tratada como prioridade em qualquer empresa de qualquer segmento
Empresas precisam estar atentas ao que estão propondo, se existe eficácia ou não
A capacidade de se renovar para adaptar às necessidades ou buscar novas respostas para novos problemas
A inovação não pode estar centralizada nas mãos de uma área ou de algumas pessoas
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