Internet, um novo cenário

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Uma das bandeiras mais levantadas pelos defensores do Marco Civil da Internet é o fato de ele assegurar aos usuários o direito à privacidade e à liberdade de expressão, uma vez que dados e comentários só poderão ser mediados, excluídos e acessados mediante ordem judicial. Por mais que garanta uma maior confiabilidade aos internautas, tal proteção poderá prejudicar empresas que fazem uso da web? “Acreditamos que não, pois toda empresa que possui um e-commerce precisa se adaptar à nova lei e, consequentemente, a ter mais cuidados ao manusear dados dos clientes”, afirma Jefferson Luciano, coordenador de web/inovação da Passarela, destacando que as medidas podem dar mais credibilidade às empresas sérias e maior confiabilidade ao cliente. “Todos iremos colher frutos e garantir mais resultados.”
Entre as mudanças que empresas deverão impactar está a questão dos anúncios direcionados, já que não poderão mais obter de redes sociais ou outros cadastros o perfil de certo tipo de cliente para propagar seu produto, salvo se a pessoa tenha concordado com a exposição de informações. Inclusive, se o usuário receber em seu e-mail alguma propaganda, que não tenha autorizado, ele poderá recorrer judicialmente. No caso da Passarela, Luciano explica que novas opções vem sendo pesquisadas. “Estamos estudando, analisando e testando novas estratégias de marketing digital para que a privacidade do cliente seja respeitada e para garantir a inviolabilidade dos dados. Isto automaticamente resultará em uma adaptação no trabalho de todos os colaboradores. Nós enxergamos alguns obstáculos, mas estamos otimistas com as medidas da nova lei”, pontua.
Para o coordenador, um benefício do Marco Civil está na neutralidade da conexão. Agora, empresas que fornecem planos de internet não poderão mais privilegiar ou restringir a conexão por algum serviço, todas as informações trafegadas na rede devem ser tratadas igualmente. “Acreditamos que a neutralidade de conexão pode a longo prazo aumentar as vendas on-line, permitindo que o usuário acesse os sites mais rapidamente e tenha mais confiança para realizar uma compra. O Brasil tem mais de 83 milhões de internautas, mas ainda há uma porcentagem significante de usuários que tem receio de realizar uma compra online”, ressalta o coordenador.