IPV tem nova desaceleração

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Foi um resultado que ficou dentro da expectativa da assessoria econômica da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), que previa uma tendência de queda suave. O Índice de Preços no Varejo (IPV), calculado pela entidade registrou em agosto nova desaceleração, para 0,73%. Em julho, o índice havia apresentado alta de 0,86%, já menor do que o de junho (1,55%).

A desaceleração do grupo de não-duráveis, que passou de 1,27% em julho para 0,31%, teve a maior influência para o recuo do IPV no mês passado. Na avaliação da assessoria econômica, isso se deve principalmente ao segmento de alimentos, que está saindo da entressafra e deve pressionar os preços para baixo daqui para a frente. No mês passado, os produtos alimentícios subiram 0,5%, contra 1,54% em julho. A queda de 4,14% no preço dos produtos de higiene também puxou para baixo o índice do grupo.

Semiduráveis foi o único grupo a mostrar resultados negativos em agosto: passou de uma alta de 0,94% em julho para queda de 0,24% no mês passado, contribuindo para a trajetória de baixa do IPV. O segmento de vestuário, com queda de 2,72%, contribuiu para o recuo, principalmente devido às liquidações de inverno. Já calçados apresentou alta de 3,79% no mês. O fato de o setor estar cada vez mais voltado para o mercado externo explica a alta, dado que a tendência é tentar igualar os preços praticados internamente.

O segmento de móveis e decorações, que em julho havia subido 4,22%, manteve-se próximo à estabilidade no mês passado (queda de 0,14%). Foi a maior contribuição para a desaceleração no grupo de duráveis, que passou de 2,06% para 0,80%. O setor de eletrodomésticos teve um recuo menor: de 1,22% para 1,09%. Para os economistas da Fecomercio, este dado mostra que no segundo semestre a indústria do setor está repondo sua margem de lucro: nos meses anteriores, quando houve o primeiro momento de recuperação do setor, os aumentos de custos não foram repassados para os preços, o que só começa a acontecer agora.

Entre os grandes grupos pesquisados (duráveis, semiduráveis, não-duráveis, comércio automotivo e materiais de construção), apenas comércio automotivo e materiais de construção apresentaram altas significativas em agosto: de 3,11% e 5,48%, respectivamente. No caso de automotivos, o aumento se justifica pela entrada dos modelos 2005, com patamar de preço mais elevado. Já no caso de materiais de construção, o aumento se deve a recomposição de margem. Além disso, na avaliação da assessoria econômica, os preços praticados nesses segmentos no mercado internacional pressionaram os preços internos. O segmento de materiais de construção acumula alta de 18,36% no ano. No comércio automotivo, o segmento de
autopeças teve um incremento de 20,79% no ano e o de veículos novos, de 6,56%.

Previsões

Mesmo com o recuo em agosto, o IPV registra alta de 9,38% em 12 meses e de 7,03% no ano. Para a assessoria econômica da Fecomercio, os números indicam que o índice não deve ficar abaixo de 9% em 2004. Isso mostra que a inflação no varejo em 2004 deve ficar acima da apurada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador usado pelo Banco Central no cálculo da meta de inflação, que deve fechar o ano em torno de 7%. Para setembro, a assessoria econômica estima que o IPV fique em cerca de 0,5%, mantendo a tendência de desaceleração. A entrada da safra de produtos in natura e de proteína animal deverá contribuir para isso.