Medidas inadequadas

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Uma pesquisa conduzida em dezembro pela Booz & Company com 828 altos executivos, em 65 países, revelou que as empresas – sólidas ou frágeis financeiramente – enfrentam dificuldades para tomar as decisões certas no cenário econômico atual. O estudo revelou ainda que boa parte dos altos executivos não está certa de que suas empresas estão preparadas para atravessar a crise.

 

De acordo com a pesquisa, 40% dos executivos seniores questionam os planos da companhia para responder à crise econômica, enquanto um número ainda maior (46%) não acredita que a liderança é capaz de levar o plano adiante. Além disso, um terço dos CEOs e altos executivos não tem confiança nos planos que eles mesmos, presumivelmente, desenvolveram.

 

No Brasil, os executivos têm avaliações semelhantes, porém um pouco mais otimistas que a média mundial. Embora 39% dos executivos se mostrem céticos com os planos desenhados pelas empresas para enfrentar a crise, somente 35% deles (portanto 11 pontos percentuais a menos que índice mundial) questionam a capacidade dos líderes em realizar o plano definido.

 

Medidas inadequadas – “Há uma falta de conexão entre o que as companhias deveriam fazer durante a crise e o que estão realmente fazendo”, explica Ivan de Souza, presidente da Booz & Company no Brasil. “Muitas empresas estáveis e fortes estão extremamente conservadoras no momento. E muitas das companhias em dificuldades deveriam estar se movimentando de forma mais agressiva para preservar o caixa.”

 

No mundo, 65% das companhias mais frágeis financeiramente não estão priorizando a preservação e geração de caixa a curto prazo para sobreviver. Por outro lado, um quarto das empresas consideradas financeiramente sólidas não estão explorando integralmente as oportunidades de crescimento. Na média, 36% dos respondentes no mundo inteiro acreditam que as companhias estão adotando medidas inadequadas perante a crise.

 

No Brasil, a situação é similar: 37% dos respondentes acreditam que as companhias não estão tomando medidas adequadas. Os executivos avaliam que 73% das empresas mais fracas não estão enfocando na preservação do caixa. Entre as mais sólidas, 22% estão deixando de buscar novas oportunidades de crescimento.

 

Otimismo – Enquanto 54% dos executivos no mundo e 62% dos profissionais no Brasil acreditam que as suas companhias sairão fortalecidas da crise, a pesquisa indica que o otimismo não tem correlação com os planos das empresas. Além disso, 88% dos executivos brasileiros expressam uma visão positiva das finanças de suas empresas hoje; apenas 9% disseram que trabalham para companhias que são frágeis financeiramente. “Esse otimismo provavelmente baseia-se no fato de que muitas empresas ainda não sentiram o verdadeiro impacto da crise”, afirma Souza.