Meu celular é um smartphone?

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Dizem que a diferença entre homens e meninos está no preço de seus brinquedos e acredito nisso! Muitos executivos que conheço investem na compra de gadgets de todos os tipos e o telefone celular é um dos principais. Não tenho por objetivo, entretanto, questionar os gastos de cada um, mas sim, a sua finalidade ou a compreensão do benefício que esses dispositivos trazem para o nosso dia-a-dia.
 
Outro dia um amigo levantou uma questão interessante: Ele tinha acabado de comprar um celular novo equipado com câmera de alta definição, tecnologia bluetooth, navegação na web, com capacidade de reproduzir mp3 e escutar rádio fm, entre outros recursos. Influenciado por algumas propagandas divulgando smartphones, ele não sabia se o tal aparelho que comprou seria ou não um telefone inteligente. Totalmente confuso, questionou se estava desatualizado e se já precisaria trocar de aparelho.
 
A pergunta é relevante e cabe uma resposta. Atualmente os celulares têm evoluído muito rapidamente e a cada dia incorporam novos recursos ou atualizam outros já existentes, em muitos casos superando nossas expectativas. Contudo, para classificar um celular como smartphone, utilizamos um conceito bastante simples: o aparelho possui capacidade de expandir suas funcionalidades?
 
Apesar da pergunta ser simples, pode ser interpretada de maneira errônea. Expandir suas funcionalidades não significa incluir novas campainhas musicais, transformar imagens em fundos de tela, nem tão pouco utilizar diferentes aplicações on-line por meio de navegadores. Todas estas são funções nativas do aparelho. Um smartphone possui uma plataforma onde diferentes empresas são capazes de desenvolver aplicações.
 
Vou tentar explicar a teoria com um exemplo real, uma experiência que vivi há dois anos. Em um certo feriado, aluguei uma casa de praia, mas a chuva não deu trégua. O dvd player que era para ser uma alternativa menor de entretenimento acabou se tornando o protagonista. Entretanto, assim que liguei o aparelho descobri que o controle remoto estava quebrado. Para quem já passou por esta situação, talvez também tenha descoberto que certos dvds não iniciam automaticamente o filme após o trailler inicial, ficando estacionado no menu principal.
 
Depois de uma frustração generalizada, surgi com uma solução inusitada. Pouco tempo antes desta viagem, havia instalado no meu smartphone uma aplicação de controle remoto universal. Após configurá-lo para o aparelho de dvd em questão, tinha em mãos um controle remoto totalmente funcional, salvando (em parte) o feriado.
 
O exemplo verídico, apesar de singelo, ilustra claramente o que é um smartphone. Muitas empresas hoje já fazem uso destes equipamentos, permitindo que executivos e funcionários de campo possuam seus e-mails, contatos e calendários sincronizados com os servidores corporativos. Desta forma, o processo decisório é otimizado e as informações fluem mais rapidamente. Empresas de varejo e atacado possuem aplicações para estes dispositivos que interagem com os sistemas de ERP e Supply Chain de maneira automática, atualizando e consolidando informações mais rapidamente, permitindo dimensionar as compras e a produção, assim como roteirizar as entregas.
 
O movimento rumo à mobilidade não pode e nem deve ser barrado, mas é preciso levar em conta como administrar e gerenciar este mundo. Dispositivos cada vez mais poderosos estarão disponíveis e com eles mais aplicações corporativas serão portadas, o que requer planejamento para que não se torne o elo frágil do negócio.
 
Eduardo Sato é especialista em mobilidade da Sybase.