O e-commerce e a I-empresa

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Rosalvi Monteagudo

Numa avaliação da nova economia, em relação a 2003 o uso do e-commerce teve um aumento de 42% no Natal, cita a Folha de São Paulo de 25/12/04. Esse resultado é maior do que no varejo tradicional.

O e-commerce (comércio eletrônico) tem beneficiado a classe média que possui computador, enquanto o varejo eletrônico é maior na classe alta que sai menos para as compras e não são afetadas pelos problemas econômicos do país. Inclusive, um dos motivos do aumento da venda on-line é a insegurança, o trânsito, a impaciência e até o preço mais competitivo que das lojas. A inclusão digital favorece a exclusão social, pois esses não têm acesso nem ao computador, nem ao consumo. O e-commerce pode atender a todos os valores sociais A/B/C/D, através do estudo sócio-econômico, avaliando a “eqüidiferença”, criando credibilidade e socializando o consumo.

As lojas virtuais depois dos problemas de 2002 e 2003, refizeram-se e têm tido bons resultados, mas sem retorno para todos, aumentando a concentração de renda. A internet está mudando a empresa que precisa organizar a comercialização (e-commerce), os negócios (e-business) que estão alterando o mercado de trabalho.

Algumas vantagens e desvantagens do e-commerce que precisam se tornar claras:

* A distribuição do produto é direta ao consumidor, excluindo o intermediário;

* É usada para pesquisa de preço do produto;

* Há facilidade de pagamento e rapidez;

* O consumidor vai direto ao e-commerce que passou a ser um novo intermediário;

* Organiza o atacado virtual que concentra o lucro, no dono do website;

* A comercialização na internet é em ação global;

* O cartão de crédito é o meio de pagamento;

* Maior controle do estoque;

* Compras em maiores quantidades;

* Distribuição de mercadorias, sem controle de qualidade;

* O varejo virtual está começando a ter muitos problemas como; falhas nas gerências, distribuição, logística, etc;

* Substitui a venda face a face, reduzindo a mão-de-obra;

* Não paga impostos nem outras atividades burocráticas, aumentando o lucro;

* Oferece custo competitivo, sem retorno para a sociedade;

* Há uma geração de serviços que aumenta a terceirização, explorando a mão-de-obra;

* A geração de trabalho é para o país de origem da indústria e/ou outras, sem controle estatal, uma vez que faz uma ação global.

Da maneira como o e-commerce está sendo feito, a geração de trabalho vai para o país de origem, além de aumentar a concentração de renda, continuando nas mãos de poucos. Faz-se com a internet o que é feito com as empresas tradicionais controladas de cima para baixo, “sub-empregando” e prejudicando a economia de qualquer país.

O relacionamento entre os fornecedores e os vendedores no e-commerce cria preços competitivos, pois se elimina o intermediário e gera mais lucros. Faz-se maior expansão e conseguem-se maiores descontos junto aos fornecedores, além da economia por não pagar pontos comerciais, nem muitos funcionários.

Enfim, o e-commerce precisa mudar para não manter a forma tradicional que aumenta a concentração de renda, uma vez que o modo de executá-lo, beneficia a poucos. A empresa virtual “I-empresa” precisa criar novas funções, pois as estão mantendo pela transmissão de hábitos. Estão somente redefinindo os conceitos.

Se não começarmos a usar essa moderna ferramenta para e pelo homem, vamos continuar nas mãos de poucos. Nunca foi estudado a geração do trabalho, a produção, a organização do mercado consumidor, as necessidades, os interesses e as reivindicações na área de atuação local/comunitária, nem o mercado de consumo para estabelecer as bases do lucro, a fim de organizar o sócio-econômico e distribuir renda.

É indispensável constituir uma interdependência com o mercado, desenvolver os recursos humanos e criar um controle democrático, fixando o homem em seu local de trabalho.

A política sócio-econômica precisa ser elaborada com o enfoque nessa terceira revolução industrial e tecnológica. O governo precisa criar mecanismo de alerta para esse novo segmento que é útil. O e-commerce pode ser usado como auxiliar no controle da inflação junto com a moeda, uma vez que o custo é menor do que nas lojas tradicionais. Hoje a consulta dos preços inclui a internet a chamada e-flation (índice de inflação na internet). Todos esses benefícios diminuem o preço final, ao sair no mercado, gera mais lucros e pode regulamentar a inflação.

Se não adotarmos uma estrutura humana estudando o mercado consumidor e levantar todas as necessidades, os interesses e as reivindicações para educar e formar os recursos humanos e desenvolvê-los para torná-los capazes, a partir do capital produtivo para organizar o investimento, o patrocínio e gerar lucro para distribuir renda. Se não, continuaremos nessa guerra econômica, com uma produção dependente do estudo de mercado, da lei da oferta e da procura. Estão criando novos intermediários e gerando lucros nas mãos de poucos, via a internet. Precisamos criar mecanismos de benefícios socioeconômico com uma “Política de Informação”.

Rosalvi Monteagudo é autora dos livros “Economia Solidário – Novas Regras” e “Autonomia na Organização da I-Empresa”.