O futuro é agora!

0
2


Brasileiro tem mania de falar que tudo é “do futuro”. O Brasil é o país do futuro. Datilografia era o curso obrigatório para quem quisesse ter um futuro. Depois de algum tempo, era o curso de computação que dava futuro. Mas, em relação aos computadores, estatísticas e projeções mostram que o crescimento do mercado no Brasil não é coisa do futuro… Está aqui e agora, em 2007.

O dólar estabilizado em baixa é um dos motivos para o aumento nas vendas de computadores no Brasil. Iniciativas, como o “computador popular”, do Governo Federal, também são responsáveis por esse aquecimento.

Chamado de “PC Conectado”, a alternativa oferecida pelo Governo Federal pode ser pago em até 24 parcelas, com juros de 2% ao mês. Ele vem equipado com sistema operacional Linux e está preparado para ser conectado à internet. Para pôr esse computador nas ruas, o BNDES liberou R$ 34,5 mi para o financiamento em redes varejistas. Outras empresas privadas que não têm o apoio do BNDES, mas que foram beneficiadas pelo fim da cobrança de IOF para computares abaixo de R$ 4 mil (90% do mercado), também conseguem oferecer computadores de boa qualidade por um preço mais acessível, igualmente financiados.

A dica para o consumidor, nesse caso, é avaliar se a compra de um computador em intermináveis 24 meses é realmente necessária e se não vai abalar a estrutura do orçamento familiar. Micro e pequenos empresários também podem se aproveitar desses preços e dessas facilidades para equipar suas empresas.

A chamada exclusão digital ainda existe e tem presença forte no Brasil. Basta ver qualquer estatística para notar que mais da metade da população nunca usou internet ou sequer mexeu num computador. Mas mesmo sendo somente 13,6 milhões de internautas, são eles quem batem recordes atrás de recordes no quesito tempo de permanência on-line. Na última medição, a média foi de 20 horas e 27 minutos, por mês. O que prova que a Internet já poderia estar rendendo lucros para muito mais gente do que rende hoje. Assim como nos outros meios de comunicação, na internet também há os conglomerados e grandes empresas, que acabam deixando o espaço para as novas idéias e novos empresários muito pequeno.

Talvez por isso, a população brasileira ainda não esteja tão preparada para pagar por serviços on-line, aqueles em que o produto recebido não é concreto, material. É um arquivo de mp3, um vídeo, uma assinatura de acesso a um site, etc.

Então, o importante não é apenas proporcionar à população a facilidade da compra de um computador. É necessário também investir na capacitação e na formação desses novos usuários de computador. Porque não implementar novos cursos e novas escolas de informática, mais acessíveis à população de baixa renda? Afinal, corre-se o risco de o Governo Federal mais uma vez remediar um problema ao invés de ataca-lo pela raiz.

Cláudio Boriola é presidente do Grupo Boriola.