O que influencia os investimentos internacionais?

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Investidores internacionais buscam a melhor taxa de retorno para o capital e tendem a relativizar o grau de otimismo da população de um país com a economia e a confiança em instituições como o Congresso, imprensa, sindicatos, etc. Esta é a principal conclusão de um estudo do Ibope Inteligência sobre a opinião pública e os investimentos internacionais nos últimos 10 anos no Brasil, China, Índia e Rússia, apresentado na 61ª Conferência da Associação Mundial de Pesquisa de Opinião Pública, que acontece esta semana em New Orleans, EUA.


O estudo foi realizado por Márcia Cavallari, diretora executiva, e Marcelo Coutinho, diretor de análise de mercado, ambos do Ibope Inteligência. Eles analisaram o fluxo de investimento direto e os principais acontecimentos políticos e sociais nos quatro países entre 1996 e 2006, além de pesquisas e entrevistas com gestores de fundos internacionais de investimento no Brasil. “Na maior parte dos casos, verificamos que o contexto internacional foi muito mais importante no fluxo de investimento direto nestes países que as conjunturas político-sociais. Por exemplo, a crise da Ásia em 1998-1999 teve um impacto muito maior no fluxo de investimento de Brasil, Índia e Rússia que a primeira eleição de Lula, o conflito da Índia com o Paquistão ou a guerra da Chechênia”, assinala Márcia.


No geral, os quatro países estudados responderam por 14% do investimento direto global em 2006, com a China liderando este total com aproximadamente 120 bilhões de dólares, seguida pela Rússia (27 bilhões de dólares), Brasil (17 bilhões) e Índia (16 bilhões). Apenas no caso da China, o Ibope encontrou uma forte correlação entre o aumento do investimento e a confiança da população nas instituições e a percepção sobre a economia. Ao mesmo tempo que os chineses apresentam maior confiança e otimismo com o futuro, a China lidera em termos absolutos e proporcionais o investimento direto entre os quatro países estudados.


As entrevistas com os investidores mostraram que na hora de tomar as decisões, as variáveis macro-econômicas (taxas de juros, câmbio, inflação) e de negócios (ausência de competidores, vantagens comparativas, barreiras de entrada, taxas de retorno) são muito mais importantes. “De maneira geral, os investidores internacionais não estão muito preocupados com as percepções da população em geral sobre o futuro do país. A decisão tende a ser mais pragmática. Nossos entrevistados mencionaram que apenas questões ambientais ou que impactem a opinião pública nos EUA ou Europa podem ter algum efeito na decisão final de investimento. Tudo o mais é acessório”, afirma a diretora.