Offshore em TI tem potencial

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Os custos do Brasil em relação à Índia e à China no que se refere ao offshore têm começado a apresentar competitividade lá fora. Esta tendência verifica-se principalmente em mercados como o norte-americano e o europeu. Profissionais capacitados e o fuso horário ajudam nisso. Mas não é só isso.

 

O Brasil possui uma cultura mais próxima dos americanos e europeus do que seus concorrentes diretos, o que facilita na hora de negociar com os grandes compradores. A proximidade física com os Estados Unidos é outro ponto positivo. Os profissionais brasileiros falam inglês melhor, com menos sotaque e mais fluência. São também mais flexíveis e criativos. Os recursos humanos possuem ótima formação, em especial nos sistemas legados, como mainframes. Há ainda ampla experiência do País em sistemas financeiros. Sem contar que não temos conflitos de fronteira, atentados terroristas e cataclismos, como furacões, terremotos e maremotos. Parece não ter muita importância, mas esses itens influenciam na hora da escolha.

 

Por outro lado, a alta carga tributária (principalmente na mão-de-obra), a falta de flexibilização nas leis trabalhistas e a escassez de incentivos fiscais na área comprometem a expansão. Falta de investimentos nesse segmento de mercado é um problema. Os poucos recursos especializados com domínio fluente do inglês ainda atravancam a venda de serviços de tecnologia da informação ao exterior.

 

 Data center e help desk lideram os serviços oferecidos do Brasil para outros países no que se refere ao offshore. O desenvolvimento de software cresce de maneira exponencial. O diferencial brasileiro no conhecimento e a grande experiência em certas áreas de negócio, como a financeira, certamente permitirá que atuemos oferecendo offshore em business intelligence. O custo do trabalho está relacionado à robustez exigida pela aplicação. A escolha de fornecedores na área depende, principalmente, de seu custo, qualidade e bons níveis de serviço. O mercado brasileiro possui estas características e tem condições de oferecer serviços com mais qualidade, realmente orientados para as características próprias de cada cliente.

 

O valor do offshore para qualquer empresa é estratégico: gera negócio, receita e lucratividade. Para o Brasil crescer nessa área e superar seus principais competidores, deve melhorar a sua imagem no exterior, evidenciar para o mercado mundial o diferencial de seus produtos e serviços, formar profissionais para atuar no segmento e melhorar as estruturas das empresas para oferecer o serviço lá fora, além de conquistar apoio real do governo com incentivos, formação de profissionais e promoção de parcerias.

 

Diversos executivos norte-americanos e europeus têm começado a perceber que a pequena diferença em dólares, ainda existente, do serviço entre Brasil, Índia e China é compensada com lucro quando considerada a influência dos problemas ocasionados pelas falhas de comunicação (diferença cultural) e fuso horário. Estes fatores representam um alto custo oculto, que leva a falhas em projetos.

 

Assim, nessa empreitada de desenvolvimento do segmento no País, nota-se a importância de aproximar universidades e escolas (oferta de aperfeiçoamento profissional), governos (políticas específicas para a área) e empresas (conquista de mais cultura exportadora). O mercado mundial de offshore para serviços em TI, segundo a IDC, deve crescer a uma taxa de 20% ao ano. Em 2008, deverá representar US$ 17 bilhões. Com determinação, o Brasil tem potencial para abocanhar fatia expressiva desse bolo.

 

Alexandre Tobias é diretor de Outsourcing para área de Desenvolvimento de Aplicações e BPO (Business Process Outsourcing) da Unisys Brasil em Belo Horizonte.