Parceira ou ameaça?

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A everis juntamente com a NTT DATA publicaram a terceira edição do InsurTech Outlook, no qual se analisou o panorama tecnológico do mercado de seguros e sua evolução nos últimos anos. Entre as principais conclusões, o estudo indica a relevância das tecnologias exponenciais, que estão redefinindo a cadeia de valor do setor de seguros, e que as startups estão desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento de soluções para responder às necessidades do setor. Entre os benefícios que vêm agregando estão maior fidelização dos clientes, novas fontes de renda e maior eficiência operacional, que as tornam parceiras atraentes para as seguradoras.
Durante o período de 2016 a 2018, o ecossistema das Insurtechs recebeu investimentos que totalizaram US$ 11,2 bilhões, mais que o dobro obtido entre 2010 e 2015 (US$ 5,5 bilhões). Enquanto a maioria dos investimentos das seguradoras em empresas Insurtech concentra-se em companhias mais maduras, um amplo grupo de executivos pesquisados demonstrou ter preferência por investir em estágios iniciais. A exceção foram as empresas latino-americanas, que preferem investir nestas startups quando estão em fases mais avançadas.
Olhando para as tecnologias, o principal investimento está focado em startups baseadas em Aplicações em Nuvem e Dispositivos Móveis. Em comparação com o investimento em outras tecnologias, estas soluções facilitam a geração de valor e atraem investidores interessados em novos modelos de negócio. Em seguida vem Big Data e Backend, Inteligência Artificial, Internet das Coisas (Iot) e Blockchain. Porém, o relatório aponta uma evolução entre os períodos de 2010 a 2015 em comparação com 2016 a 2018, revelando que as startups baseadas em Inteligência Artificial foram as com maior crescimento, acima de 665% entre os dois períodos. Estes investimentos revelam a necessidade de processar e aprender com os dados para construir uma oferta personalizada, atrair e reter clientes e alcançar processos mais eficientes em todas as linhas de negócio. As Aplicações Móveis tiveram também relevância e espera-se que o seu impacto aumente nos próximos anos.

“Temos um interesse genuíno na inovação em Seguros, pois pode trazer um avanço tecnológico e de gestão extremamente relevante para o setor. Isto porque mostra como a adoção de novas tecnologias possibilita a oferta de serviços cada vez mais customizados, com melhor atendimento aos clientes, viabilizando inovação, geração de novos negócios e, por consequência, maior competitividade e rentabilidade para o mercado segurador”, afirma Roberto Ciccone, sócio da everis responsável pela Prática de Seguros na região Américas.


Competição ou colaboração?
As seguradoras estão colaborando com a Insurtechs para enfrentarem os desafios tecnológicos e aproveitarem novas oportunidades. No entanto, a visão não chega a ser positiva, pois nove em cada 10 seguradoras consideram a atividade da Insurtech como um risco para o seu negócio atual. Mas as startups valorizam a chance de se aproximarem das seguradoras tradicionais, com acesso aos bancos de dados de seus clientes e solução das questões regulatórias, fatores-chave para a expansão de seus negócios.
As empresas tecnológicas (Amazon, Alibaba, Apple, Baidu, Facebook e Google) procuram inovar no setor de seguros colaborando com diferentes startups disruptivas para entrarem no mercado de seguros de saúde ou de pequenas e médias capitalizações. Eles têm como objetivo inovar na conceitualização, design e comercialização de produtos de seguros adaptados aos novos hábitos de vida (casa conectada, carro autônomo, etc.) e conectá-los por meio de suas plataformas, transformando o modelo de distribuição de seguros. De acordo com a pesquisa, as principais empresas tecnológicas terão grande relevância no mercado de seguros nos próximos anos. De fato, Google e Amazon terão o maior impacto em tecnologia e distribuição, respectivamente.