PPPs, o desafio está no planejamento

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As empresas têm pela frente, com o advento das Parcerias Público Privadas (PPPs), uma nova – e aparentemente promissora – oportunidade de negócios. É um caminho de crescimento que pode até ser descartado por muitas devido à sua complexidade, mas que deve ser seriamente levado em conta caso se encaixe no perfil da organização.

Tudo depende de uma avaliação estratégica. Primeiro, é preciso se inteirar a respeito do tema, complexo e novo. São muitos os questionamentos em pauta, e eles precisam ser discutidos à exaustão. Há que se refletir sobre a validade ou não de seguir este caminho, uma vez que trabalhar com o poder público significa sempre uma incógnita quando se fala em transparência e eficiência. Feita esta ponderação, deve ficar claro em que medida e em que casos isto deve acontecer. Se a aposta se mostrar viável, vem a fase de planejamento para um novo desafio.

Muitos fatores devem ser levados em conta na hora de decidir se é ou não interessante investir nas PPPs. É preciso levar em conta dimensão, estrutura e visão da companhia, identificando quais são as perspectivas e potenciais. Uma segunda etapa remete à análise desta nova modalidade, considerando todas as suas particularidades, exigências e garantias. Mais do que calcular a relação custo-benefício, é essencial aferir qual será o impacto desta guinada para a trajetória da empresa. A pergunta é: despesas e investimentos serão compensados pelas oportunidades que poderão surgir?

Fazer parte de uma PPP exige uma estrutura capaz de atender aos interesses tanto do poder público quanto da iniciativa privada. Na prática, serão dois ‘patrões’: um acostumado a lidar com a concorrência e, por isso, mais ágil na tomada de decisões, e outro, tradicionalmente mais moroso e nem sempre preparado para enfrentar e superar os imprevistos de qualquer empreendimento. Cabe ressaltar, por exemplo, que, no relacionamento com as estatais, a burocracia tende a ser muito maior.

Se, entre prós e contras, for positiva a avaliação, é chegado o momento de repensar questões bastante amplas e determinantes para o sucesso da empreitada. A isso corresponde um novo planejamento estratégico, que deve contemplar todos os passos para elaboração e implantação das mudanças. É uma postura semelhante à que ocorre quando a empresa precisa redefinir o posicionamento perante seu mercado de atuação.

A nova mentalidade deve se traduzir em definições claras e precisas, com metas conhecidas por todos os envolvidos. Não basta acertar um novo posicionamento entre os tomadores de decisão se ele não for colocado em prática em todos os níveis. A cultura empresarial deve ser disseminada por toda a organização, o que inclui eventuais alterações de processos e atividades em curso, adequando pessoas e funções aos novos tempos.

É forçoso notar ainda que as parcerias público privadas exigem uma gestão um pouco mais sofisticada. Afinal, se empresas fornecedoras de produtos e serviços têm normalmente seus processos formatos de acordo com os compradores, nada mais lógico que os novos padrões sejam compatíveis com esta nova realidade. Logo, um grau maior de conhecimentos tributários e trabalhistas é tão obrigatório quanto a consciência de mercado.

O desafio está lançado. Compete às empresas preparar-se adequadamente para superar os obstáculos que certamente aparecerão. Estratégia é a palavra chave, mas existe muito mais em jogo. Começa agora a ocupação de território em um novo cenário de negócios, que, mesmo ainda não sendo totalmente conhecido, pode determinar mudanças importantes no posicionamento das empresas.

Paulo Ancona Lopez é diretor da Vecchi & Ancona. ([email protected])