Que venham as mudanças!

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O ano de 2015 não foi fácil para ninguém. Mesmo aquelas empresas que conseguiram crescer, não passaram ilesa pela crise econômica e política, mostrando que estamos realmente vivendo um novo momento. Um novo momento que pede mudanças de atitude, como deixaram claro os líderes reunidos no primeiro painel do XIV Encontro com Presidentes, na manhã de hoje (26), no Espaço do Bosque, em São Paulo. “Uma crise com mais de 120 dias já não é crise, mas sim um estado. Com isso, as empresas precisam, o quanto antes, se adaptar ao novo cenário para que não percam espaço”, alertou Miguel Ignatios, presidente da Fenadvb.
Nesse mesmo sentido, Romeu Chap Chap, presidente da Construtora Chap Chap, comentou que esse foi um ano em que as regras estão sendo mudadas. Porém, essa mudança deveria já ter começado lá atrás com o próprio Governo. Ele explica que a crise é resultado de um quadro que já vinha se desenhando no horizonte. De acordo com Chap Chap, o Governo Lula soube manter a política econômica anterior e introduzir novas medidas, conduzindo o País para o crescimento. Porém, essa política precisava, em algum momento, ser ajustada. “O governo acabou gastando demais com os programas sociais e o dinheiro acabou. Agora estamos pagando a conta”, afirmou o executivo, acrescentando que, embora medidas já estejam sendo tomadas, a crise política ainda está afetando.
Esse quadro, na visão de Sérgio de Souza Monteiro, presidente da Uptime, mostra como o Brasil é um país de incoerência. “Quem não sabia que aquecer a venda de imóveis da forma como foi feita não iria dar certo. O mesmo para outras áreas, quando se incentivou o consumo desenfreado.” Para ele, uma hora esse modelo ia ter um fim, já que o salário não cresceu na mesma proporção. Com isso, criou-se uma utopia, que virou uma bolha. Além disso, ele alertou para o fato de que no Brasil ainda se discute pontos que há muito tempo se discutia em outros países. Um exemplo citado é a carteira assinada. Monteiro também destacou o fato de que tudo que vai para o Governo, para. Enquanto, o que está nas mãos da iniciativa privada anda. “Por isso tudo, digo que é preciso colocar gente nova no Governo. Não podemos continuar do jeito que está.”
Na mesma linha, Topázio Silveira Neto, presidente da Flex RR, coloca irresponsabilidade fiscal, crise política e economia fraca como principais pontos que levaram o País ao atual cenário. De acordo com ele, mesmo na fase em que o Brasil estava bem, o Governo não reduziu os custos, sobrando para as empresas, até que chegou ao limite. O desafio agora é ter que lidar com os repasses de custos quando, na verdade, a empresa foi preparada para outro cenário. “O quadro mudou e temos que nos adaptar a nova realidade.” Como exemplo, Silveira cita a indústria de cobrança, que é remunerada pelo sucesso. “Como administrar isso quando os custos estão maiores. A estrutura precisa ser revista, assim como toda a cadeira precisa se ajustar.” Segundo o executivo, a única forma de manter a alta rentabilidade é aumentar a produtividade, com inovação. “Fazer mais e melhor com menos já era algo que vinha sendo feito. Agora, isso precisa ser mais profundo”, afirma.
Ainda nesse mercado de cobrança, Jefferson Frauches Viana, presidente da Wayback e do Instituto Geoc, comentou que a economia estagnada do jeito que está corrói todo esforço empreendido. “Por isso, também considero que é importante pensar no que se pode fazer de diferente. Criar novas estratégias, investir em novas tecnologias. É hora de mudar”, reforçou o executivo, ressaltando que, embora não seja um momento simples, não se pode desistir. “É preciso encontrar caminhos. Não podemos parar. Temos que acreditar nos País e nos negócios.” Ele destacou que se por um lado há a oportunidade com o aumento dos inadimplentes, por outro há menos liquidez para saldar as dividas. Esse quadro impõe a necessidade do mercado de cobrança buscar um equilibro junto aos parceiros. “Temos que conversar com os contratantes para mudar o modelo. É hora de unir para fazer algo novo”, pontuou.
Na avaliação de Consuelo Amorim, presidente da Sigma, apesar dos economistas falarem que já chegamos ao fundo do poço, a cada dia e nova notícia a situação se mostra ainda pior. No entanto, há um lado positivo em tudo isso. Ela cita o fato da crise política evidenciar o “mar de lama” em que o País está imerso, permitindo assim que se construa um futuro mais digno. “Tenho a esperança que todos esses escândalos sirvam para fundamentar uma base mais sólida e sustentável”, disse. Consuelo defendeu que, quando mais escancarada a realidade, mais fácil será para voltar a crescer. Pois, no Brasil ainda há muita oportunidade de desenvolvimento. “Estamos vivendo uma realidade difícil, mas temos a oportunidade de transformar esse País”, decretou.