Quem vai e quem fica?

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Autor: Ernesto Haberkorn

 

Para enfrentar a concorrência, as micro e as pequenas empresas começaram a abraçar a tecnologia. Diante de um cenário abalado pela crise econômica mundial, a adoção de novas tecnologias tornou-se indispensável para aumentar a competitividade e responder rápido às necessidades dos clientes.

 

De acordo com a recente pesquisa elaborada pelo Sebrae-SP, houve um aumento no número de micro e pequenas empresas que usa a Tecnologia de Informação e Comunicação no Brasil. O estudo apontou que 75% das micro e pequenas empresas (PME) utilizam computadores e 71% estão conectadas à Internet. Há dez anos, eram apenas 16% operando com as máquinas, das quais apenas 7% conectadas à web.

 

Contudo, a pesquisa também revelou que grande parte dos micro e pequenos empresários não utiliza os equipamentos de forma integral. Muitos são usados para o simples armazenamento das informações ou destinados a pequenas atualizações de documentos e cartas. Além disso, apenas 34% das MPEs possuem algum tipo de software de gestão para administrar, de forma integrada, as diversas atividades do negócio. Também faz parte da minoria quem usa a informática para emitir nota fiscal e controlar as finanças.

 

Os números mostram um cenário animador pelo crescimento nos investimentos em tecnologia dos microempresários. Do outro lado, no entanto, percebemos o não aproveitamento de todos os recursos que a TI proporciona.

 

Ninguém precisa ser um geek para saber que a tecnologia facilita e agiliza quaisquer atividades no trabalho. Sabemos que com uma boa ferramenta de gestão em mãos, os microempresários podem usufruir das características de gestão semelhantes às utilizadas por grandes empresas. Com isso, o pequeno empreendedor pode gerenciar todos os processos e custos da empresa, aumentando a produtividade e garantindo melhor atendimento ao cliente. Por conseqüência é possível aumentar os lucros e gerar melhores condições para crescer.

 

Para atingir estes objetivos, as microempresas devem dividir os investimentos entre os equipamentos, as soluções tecnológicas e capacitação. Não adianta ter uma empresa equipada por completo e não ver os resultados da ação. Os investimentos com softwares de gestão são extremamente concretos para o futuro da empresa. Com a utilização de apenas um software é possível automatizar os principais processos da companhia, agilizando e apoiando a tomada de decisões e o controle operacional.

 

Além disso, há produtos simples e gratuitos no mercado, inclusive monousuários para que as empresas de pequeno porte comecem a criar o hábito da gestão integrada.  Há também ferramentas que utilizam a plataforma Web, o que facilita ainda mais o dia-a-dia do empresário e diminui, muito, o valor do investimento. Também há cursos específicos que ajudam e ensinam estes empresários a se preparar e iniciar a informatização do seu negócio.

 

No Brasil, há 5,1 milhões de empresas. Desse total, 98% estão na classe de MPE. Os pequenos negócios (formais e informais) respondem por mais de dois terços das ocupações do setor privado e, a cada ano, este segmento ocupa mais nichos de mercado, abertos pelos movimentos da terceirização e do avanço do progresso técnico.

 

Até 2015, segundo o Sebrae-SP, é esperado que o País alcance o índice de uma empresa para cada 24 habitantes, atingindo quase nove milhões de empresas para 210 milhões de pessoas. Com isso, poderá aproximar-se dos índices de empresas por habitantes de países europeus.

 

Diante da expectativa, podemos afirmar que a empresa que não tem um software de gestão, como um ERP, por exemplo, está com seus dias contados. A falta de agilidade e controle em relação aos seus concorrentes provocará um atendimento a seus clientes fora dos níveis exigidos, principalmente, se considerarmos as novas facilidades e vantagens que são agressivamente oferecidas. Um controle rigoroso das operações a um custo razoável é o que vai determinar quem fica e quem diz adeus ao mercado. Há tecnologia disponível e acessível para os pequenos empresários. E ela que pode garantir mais competitividade e produtividade em momentos de crise e concorrência acirrada.

 

Ernesto Haberkorn é sócio fundador do Grupo Totvs e idealizador do projeto Totvs Dá Educação.