Requisitos para a competitividade

0
12

*Max Schrappe

Em 2005, estima-se que o setor gráfico deva movimentar US$ 949 bilhões em todo o mundo. Considerando que representa 5% desse mercado, a América Latina teria quase US$ 50 bilhões como fatia do bolo global. Embora o montante seja expressivo, a Região tem espaço para aumentar seu índice de participação no faturamento mundial do setor, pois abriga 17% das gráficas de todo o Planeta. Para capitalizar este grande potencial de expansão, bem como o previsto crescimento macroeconômico do Continente em 2005, as gráficas precisam empenhar-se em algumas lições de casa. As mais importantes são as seguintes: aporte tecnológico; boa gestão administrativo-financeira; profissionalização e eficiência no marketing; capacidade de exportação; e descoberta de nichos de mercado, estratégia comercial particularmente recomendável às pequenas e até médias gráficas.
A questão da especialização mercadológica já demonstrou na prática sua importância e pertinência. Um exemplo nesse sentido pode ser encontrado no mercado brasileiro, no qual as pequenas gráficas já focadas num ramo da impressão e no atendimento personalizado de seus clientes tiveram mais facilidade para atravessar a turbulência econômica de 2003, quando o PIB do país decresceu 0,2%.
Por outro lado, há uma tarefa decisiva, válida para gráficas de todos os portes, em todos os mercados: buscar capacidade efetiva de atender plenamente às necessidades e anseios de seus clientes. Assim, devem mesclar, na mesma planta industrial, as tecnologias convencionais e os novos processos digitais. O Cifag (Centro Interamericano para Inovação, Formação e Desenvolvimento Tecnológico da Indústria da Comunicação Gráfica), organismo da Conlatingraf, tem atuado no sentido de contribuir para que as gráficas da Região possam adequar-se aos novos requisitos da competitividade.
Com a votação e aprovação de novos estatutos, o Cifag tornou-se mais apto à sua tarefa de promover o intercâmbio de conhecimentos e a formação profissional. Um dos reflexos de seu avanço foi a realização, em São Paulo, da primeira Reunião Técnica. Participaram especialistas e professores de todo o Continente. A segunda reunião ficou marcada para junho de 2005, em Bogotá, na Colômbia. Os encontros têm apoio e participação do Centro Interamericano de Investigação e Documentação da OIT (Cinterfor), que colabora com o Cifag para o treinamento de professores.

Também foram firmados convênios com a Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG), com a instituição brasileira Senai (Serviço Nacional da Indústria), Agfa, Heidelberg, Fundação Gutenberg, da Argentina, IEG, do Chile, Ilatec, da Costa Rica, e Sun Chemical. Segundo os acordos, estas entidades contribuirão para o desenvolvimento de recursos humanos e tecnológicos. Na Alemanha, o Cifag negocia acordo para capacitação profissional com a Print Promotion. Tudo isto é importante para que as empresas da região tenham uma trajetória vitoriosa. A gráfica de sucesso, no mercado contemporâneo, será aquela com capacidade de prestar diversificada gama de serviços aos seus clientes, com boa qualidade e preço competitivo.
(*)Max Schrappe é presidente da Confederação Latino-Americana da Indústria Gráfica (Conlatingraf) e do Conselho Consultivo da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf).