Respeito é bom e eu gosto

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É fantástico como a tecnologia tem o poder de criar soluções para os antigos problemas, ao mesmo tempo em que gera novos complicadores. O correio eletrônico, por exemplo é, sem dúvida, uma das maiores e mais importantes ferramentas de comunicação dos tempos de internet. É fácil de produzir – é versátil e adapta-se a qualquer finalidade; fácil de enviar -, evita custos de postagem, manuseio etc; tem custos desprezíveis (quanto você gasta para enviar uma mala-eletrônica para 10 mil pessoas?); é de transmissão instantânea – quando muito pode levar… 30 minutos para chegar ao destino. É capaz de estabelecer relações, uma vez que permite a interação das partes de maneira funcional e conveniente.

Poderia enumerar aqui diversas características que tornam esse meio de comunicação o sonho dourado de dez entre dez agências, consultorias de marketing e comunicação, ou empresas em geral. De fato, todas essas características fariam do meio eletrônico o canal ideal e insubstituível para o fluxo de mensagens comerciais, não fosse por um pequeno efeito colateral: o volume de mensagens geradas e veiculadas.

A quantidade excessiva de mensagens produzidas, motivadas pelo binômio custo x benefício que o meio proporciona, impõe o estabelecimento de regras de utilização. Há pelo menos dois motivos para isso. Um deles é o respeito ao cidadão. Mesmo que o envio indiscriminado de e-mails não fira – pelo menos oficialmente – nenhum artigo do Código Penal, ou de Defesa do Consumidor, abarrotar a caixa postal alheia obriga a constantes faxinas virtuais que, dependendo da quantidade, pode levar um tempo significativo.

Acredito que a maioria dos internautas, usuários assíduos de correio eletrônico e que fazem deste meio um instrumento de trabalho, estão desenvolvendo suas próprias regras de conduta e são capazes de reagir aos abusos cometidos às vezes de forma radical. Como consumidores, são capazes de boicotar produtos ou empresas, fazendo da internet o meio de divulgação em massa de suas insatisfações.

Não é por acaso que cada vez mais empresas aderem ao chamado “permission marketing”, uma fórmula politicamente correta de utilização do canal onde o principal aliado é o destinatário. O marketing de permissão é talvez uma modalidade primária e tangível de um código subliminar de ética que rege informalmente a utilização dos e-mails de caráter comercial.

Mas para aqueles que, digamos, não querem nem saber se estão incomodando e não são sensíveis a campanhas negativas, vale um último argumento: o compromisso com o resultado da comunicação. A poluição resultante do excesso de mensagens faz com que o processo de eliminação seja mais criterioso. Além disso, não é difícil que e-mails desapareçam permanentemente nas pastas “Pendentes” da vida, presentes na maioria dos computadores. Se todo o esforço de comunicação deve gerar resultado, qualquer iniciativa improdutiva é pura perda de tempo.

*Augusto Masini é gerente de Relacionamento da Varig Logística S/A.
e-mail: [email protected]