Setor farmacêutico discute a integração

0
3

Durante o Painel da Indústria Farmacêutica, em São Paulo, promovido pela Associação Brasileira de e-business – que reuniu as principais empresas como Aventis, Aché, Novartis, GlaxoSmithKline, Santa Cruz, Rede Drogão, entre outras -, foi discutida a importância da criação de um canal de integração da informação de demanda de mercado entre a indústria, distribuidoras, farmácias, auditorias, médicos e governo com o objetivo de modernizar o setor.
João Carlos Figueiredo, Product Manager da Proceda, enfatizou a importância em compartilhar as informações. “Esse passa a ser o grande diferencial de negócio de uma empresa no processo colaborativo”.
Durante pesquisa interativa realizada com as 200 pessoas presentes ao evento, foi perguntado se a empresa na qual trabalhavam pratica algum processo baseado na web (internet) para estimular o relacionamento ao longo da cadeia de suprimentos do segmento farmacêutico. O CRM -Customer Relationship Management – é o sistema mais utilizado (67,4% das respostas).
Um outro resultado também surpreendeu: perguntado aos representantes do setor se eles compartilhavam informações estratégicas com os parceiros comerciais, 53,2% responderam que sim e 46,8% disseram que não. “Precisamos ter uma maturação gradual para dividir informações com outros parceiros. É preciso adquirir confiança”, disse Figueiredo.
“A Associação ebusiness Brasil quer levantar a discussão de propostas de aprimoramento da integração das informações do mercado e dos estoques, com o objetivo de aumentar a colaboração dos negócios e reduzir custos multilateralmente entre todos os elos envolvidos”, afirma Richard Lowenthal, presidente da Associação.
Um dos debates do Painel, que teve como tema “Descobrindo Caminhos para Maximizar Esforços de e-business Através de Estratégias Colaborativas de Marketing, Everaldo Rodrigues Martines, gerente de Negócios de Tecnologia da auditoria Close-up, disse que a indústria farmacêutica trabalha com informações estratégicas. Ele informou que ferramenta para a integração ainda é um grande desafio. Nelson Luiz de Paula, diretor de marketing da Rede Drogão, enfatizou que não adianta somente ter as informações: “O importante é saber o que fazer com elas”.
Sidinei Righini, gerente de Tecnologia da Informação da Aché Laboratórios Farmacêuticos, acredita que a força matriz para que ocorra a integração é a necessidade. “Quando ela existir haverá pressão para que algo mude. Precisamos melhorar e ver para quem essa melhora interessa. É preciso conversar mais sobre o assunto”, afirma. Ele acredita que a implantação de um canal de diálogo entre todos os elos que envolvem a cadeia produtiva dos medicamentos, como indústrias farmacêuticas, distribuidores, farmácias e médicos, está em fase de maturação, mas deve despontar em dois anos.

Integrar todas as informações do setor não é uma tarefa das mais fáceis, mas para Maurício Lima, IS Controller da Aventis, esse esforço pode levar a um benefício financeiro para toda a cadeia farmacêutica.

No último debate do dia, que teve como tema “A Otimização das Relações Integradas entre Indústrias Farmacêuticas, Distribuidores, Farmácias e Governo”, Paulo Seixas, gerente de projetos Latin América da Novartis, falou que a onda de integrar e globalizar é inevitável. “Deve acontecer de fora para dentro da empresa. O nosso cliente, hoje, tem informação do que está acontecendo do outro lado do planeta. O mercado exige a integração”, afirma. A GlaxoSmithKline – representada por Isaac Jarlicht, diretor de compras, contou que há três anos a sua empresa rompeu barreiras e iniciou a integração da cadeia produtiva de fornecedores.
Representando a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, Umberto Tachinardi fez um importante pedido à indústria de remédios, solicitando que elas adotem o código de barras individual para o Governo poder reduzir o seu estoque e, assim, dar um atendimento de qualidade à população.

O rompimento da cultura é uma das dificuldades para implementar a integração da cadeia da indústria farmacêutica e o medo da substituição do homem pela máquina ainda está muito presente dentro das empresas. “Nenhuma tecnologia vai tirar o homem da frente da ação. Muda a postura de relacionamento, porque agora a fidelização é a palavra-chave para o sucesso de uma empresa e por isso o pós-venda é muito importante e deve ser feita face a face”, conclui.