Solteiros são destaque entre inadimplentes

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É comum ouvir de muitos casais brasileiros que as dívidas chegam a “tirar o sono”, atrapalhando, muitas vezes, até o relacionamento pessoal. Mas atualmente este problema não se restringe aos casados e já atormenta muitos solteiros. De acordo com a última pesquisa “Perfil do Inadimplente” da Telecheque, realizada entre os meses de setembro e outubro, com base em entrevistas com 1686 consumidores inadimplentes, os solteiros representaram 42% dos consumidores com restrições nos cadastros de proteção de crédito, pouco atrás dos casados, que somam 49% do total. O número de consumidores solteiros inadimplentes cresceu 83% em comparação com mesmo período de 2005, enquanto o total de casados inadimplentes caiu 8%.

Sendo assim, uma pergunta é automática: o que tem levado tantos consumidores solteiros à condição de inadimplentes? De acordo com o estudo, 40% deles alegaram descontrole financeiro, comportamento que afetou 44% dos inadimplentes ouvidos pela pesquisa, seja qual fosse o seu estado civil. De certo modo, o crescimento do percentual de solteiros inadimplentes pode ser explicado por um outro dado do estudo, o de que 41% dos consultados têm idade entre 21 e 30 anos. Nesta faixa etária o total de consumidores inadimplentes ainda registrou aumento de 14% em relação ao mesmo período do ano passado.

“É muito comum jovens que estão ingressando no mercado de trabalho e iniciando suas experiências de acesso ao crédito terem problemas com o controle de sua capacidade de endividamento”, afirma José Antônio Praxedes, vice-presidente da Telecheque. Os outros principais motivos alegados pelos inadimplentes solteiros foram o empréstimo do nome, totalizando 16% das respostas, e o desemprego (11%). “O grande vínculo de amizade neste tipo de público favorece este comportamento de ´boa fé´ no empréstimo de seus nomes para acesso de terceiros ao crédito”, comenta Praxedes.

A maioria dos inadimplentes solteiros são do sexo masculino (52%), tem idade entre 21 e 30 anos (60%) e possuem o Ensino Médio Completo (39%). São funcionários de empresas privadas (51%) ou autônomos (21%) e têm renda entre R$ 350 e R$ 1050 (37%). As compras que se converteram em “dor de cabeça” tiveram valores entre R$ 50 e R$ 399 (72%) e foram feitas para pagamento à vista (51%). Os segmentos que sofreram maior impacto com a inadimplência desses consumidores foram os de confecções (22%), supermercados (14%), postos de combustível (14%) e calçados (11%).