Teatro para vender tecnologia

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O maior desafio das empresas de Tecnologia está em “falar” com seus clientes “prospects”. Termos domésticos desenvolvidos internamente nas empresas usuárias, a maioria importada do inglês, são usados sem moderação, para nomear ferramentas acopladas a softwares e a sistemas de ERP e que já causam uma certa dor de cabeça aos vendedores de tecnologia. Hoje esses profissionais buscam uma linguagem mais adequada para “vender seu peixe” em meio a esse universo definido por um bizarro mesclado de inglês+tecnologia+português.

“Webmanager”, “e-integrator”, “costumer solution”, são alguns dos exemplos que se encontra nas páginas da internet e na fala corrente do mercado, mas há uma grande dificuldade de alinhamento do discurso de quem vende e de quem compra tecnologia. “Claro que no âmbito das grandes empresas, profissionais mais elaborados conseguem discernir os termos corretos que nomeiam as várias nuances da tecnologia e suas aplicações, mas o problema está nas empresas de menor porte”, observa Francine Nonaka, diretora de desenvolvimento da Dzyon, empresa que trabalha com desenvolvimento de sistemas de gestão empresarial.

Outra barreira a transpor pela equipe de vendas da Dzyon, que atende empresas de todos os portes, está no fato de ninguém mais agüentar extensas apresentações em PowerPoint, cheias de discursos e que levam horas dentro de uma sala de conferência. “Daí decidimos usar a linguagem do teatro para apresentar nossos diferenciais aos futuros clientes, transpondo a barreira da comunicação em várias frentes”, conta a diretora. “Se os problemas forem as gírias do mercado ou o desgaste causado por apresentações tradicionais, a trama teatral vai trazer a solução para ambos os casos”, completa.

Um grupo de quatro funcionários da Dzyon, a maioria jovem, fica em cena e outros quatro, nos bastidores. As cenas iniciais mostram as dificuldades de relacionamento, comunicação e gerenciamento, que o mundo empresarial colaborativo demanda. Dona Magnólia, a personagem central, é uma empresária, cheia de compromissos e centralizadora, na missão de conduzir os negócios da empresa. Seus maiores desafios eram a coordenação da agenda pessoal, enquanto acompanhava os processos complexos do dia-a-dia do negócio, que envolvia troca de e-mails com os funcionários mais estratégicos, acompanhamento das vendas, pagamentos, etc.

Dona Magnólia quase enlouquece porque, no caminho, os problemas decorrentes de uma falta de gestão orquestrada, de falhas na comunicação e de processos complexos na gestão global desabam, como uma avalanche, sobre ela. “O final da história é, antes de mais nada, uma palestra descontraída, onde a platéia interage e se diverte ao ver nas cenas um exemplo caricato da rotina de muitas empresas nos dias de hoje”, complementa Francine. Ela e a equipe desenvolveram o case de cena com base em fatos reais, mas não se furta a uma brincadeira: “Qualquer semelhança com pessoas ou empresas terá sido mera coincidência!”.