Tecnologia a serviço da segurança

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A questão da segurança no Brasil é notadamente complexa. Muitas vezes, atribui-se parcela das causas do problema à falta de fiscalização ao longo da fronteira seca. De fato, não é possível ignorar que a entrada ilegal de armas e drogas no País – dois reconhecidos combustíveis da violência – dê-se por essa faixa territorial. Afinal, são cerca de 16 mil quilômetros de fronteira com 10 países, abrangendo 11 estados da federação. A tarefa de submeter à vigilância toda essa extensiva área é árdua. Porém, quando se centra muito a discussão da insegurança nas regiões fronteiriças, pode-se estar descuidando de outros aspectos pontuais, nos quais é provável que o comércio clandestino e todo o lastro de violência que ele carrega estejam também estabelecidos. Num país de dimensões continentais como o Brasil, portos e aeroportos deveriam ser motivo de preocupação e cuidados extremos.

Para se ter uma idéia, o número de aeroportos reconhecidos no País é algo em torno de 500 – só a Infraero administra 67 deles. Estamos aí incluindo os de pistas pavimentas e de terra, sinalizados ou não. Há aeroportos com vôos regulares de passageiros e cargas em pelos quatro cidades brasileiras de fronteira: Oiapoque (divisa com a Guiana Francesa), Tabatinga (divisa com a Colômbia e o Peru), Corumbá (divisa com a Bolívia) e Foz do Iguaçu (divisa com Paraguai e Argentina).

Há ainda uma dezena de aeroportos localizados em cidades em regiões remotas do País, como Cruzeiro do Sul (AC), Itaituba (PA) e São Gabriel da Cachoeira (AM) também com a função de receber vôos regulares de passageiros e carga. A Infraero calcula que cerca de 83 milhões passam anualmente pelos 67 aeroportos que gerencia. Só o Aeroporto Internacional de Guarulhos atende por ano 12 milhões de passageiros – que possui o segundo maior terminal de cargas da América Latina, perdendo apenas para o da Cidade do México. Já o Aeroporto Internacional do Rio passa de oito milhões o número de usuários anualmente. Todos os aeroportos citados interligam-se com outros, de médio e grande portes, localizados nas principais cidades brasileiras e alguns deles também com o Exterior, numa complexa teia de comunicação.

No campo portuário, esta rede de comunicação também é bastante extensa. Basta dar uma analisada na costa brasileira, de mais de oito mil quilômetros. Importantes portos estão em todos os estados litorâneos do País, com destaque para o de Santos, Rio de Janeiro, Paranaguá, Itajaí, Rio Grande e Vitória. Há também os terminais hidroviários de Manaus e Porto Velho, apenas para citar dois exemplos expressivos.

O fato é que administrar a segurança de portos e aeroportos é criar dificuldades ainda maiores para o comércio ilegal de armas e drogas. Num país onde uma parte expressiva da fronteira seca está em áreas de difícil acesso e que o custo para fazer com que estes produtos ilícitos cheguem aos grandes centros por via terrestre é muito caro, não seria inconseqüente defender a necessidade de estabelecer plano nacional de vigilância mais rigorosa de portos e aeroportos.

Há práticas que podem tornar esses ambientes mais seguros e menos vulneráveis. Uma delas está relacionada à tecnologia. Soluções integradas e mais eficazes de identificação e controle de acesso de passageiros e de gerenciamento do transporte de carga são alguns meios bastante eficientes. Eles podem fazer com que esses centros de embarque e desembarque de passageiros e carga e descarga de materiais exerçam prioritariamente o seu papel de movimentar com segurança o conjunto de ativos representado por pessoas e empresas, os agentes que verdadeiramente constroem a nação. Inadmissível é permitir que armas e drogas cheguem ilegalmente às mãos de facções que promovem a insegurança na sociedade.

Paulo Bonucci é presidente da Unisys Brasil.