Tendências para o varejo global em 2007

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A Deloitte, empresa de auditoria e consultoria, acaba de lançar a 10ª Pesquisa Anual – 2007 Global Power of Retailing. O estudo aponta os 250 maiores varejistas ao redor do mundo com base na compilação de dados públicos dessas empresas sobre o ano fiscal de 2005 (de 1º de Julho de 2005 a 30 junho de 2006). Além disso, também apresenta tendências do mercado global e análises sobre os principais desafios que os varejistas precisam enfrentar hoje em dia, entre eles, a busca pelo crescimento sustentável.

Nos EUA, apesar da guinada positiva no consumo, o Banco Central americano (Federal Reserve) decidiu por aplicar uma política monetária mais restritiva, o que resultou em conseqüente desaquecimento do varejo. A Europa e o Japão testemunharam um bom desempenho econômico movido pela baixa inflação. O que se verificou na América Latina foi um quadro misto com o sensível crescimento nos mercados varejistas da Argentina, Chile e Venezuela e um incremento mais modestos em outras regiões como Brazil e México. No mercado latino americano, a marca não tem se demonstrado, de acordo com a pesquisa, característica determinante de sucesso na venda e aumento no faturamento.

Já os mercados emergentes como China, Índia e Rússia, continuaram a protagonizar crescimento acelerado na economia. Na China, o volume gasto pelo consumidor aumentou de maneira vertiginosa, o que fez com que o terceiro maior mercado varejista do mundo se tornasse ainda mais atraente às grandes redes multinacionais varejistas. A Índia também dividiu a mesma atenção dos holofotes globais. Entretanto, com as restrições governamentais, houve menos oportunidades às redes interessadas em abrir mercado na região. Como resposta ao aumento do interesse na Índia pelo mercado varejista mundial, empresas de origem indiana aumentaram de forma significativa os investimentos locais em modernização e expansão.

Os oito novos desafios do varejo global e as treze tendências que acompanham cada um deles:

1- Criação de valor

Projeção 1: Nos próximos cinco anos, a parcela de crescimento nas economias desenvolvidas que deverá ser alocada em gastos do consumidor deverá diminuir, já que deverá haver uma retração no consumo e um aumento com gastos públicos

2- Otimizar a aplicação do capital de giro

Projeção 2: Varejistas terão de enfrentar forte pressão por parte dos investidores ávidos por retorno dos investimentos e aumento do valor do acionista. Isto deverá gerar uma onde de mais Fusões e Aquisições no setor, aumento dos dividendos, redução de dívidas e maior crescimento com a abertura de novas lojas.

3- Quando a globalização mostra sua outra face

Projeção 3: A combinação de forças políticas e econômicas deve aumentar o custo e reduzir o acesso a importações vindas dos EUA, Japão e Europa. Essa conjuntura deverá impulsionar os varejistas a buscarem por fontes mais caras em seus respectivos países de origem.

4 – Tecnologia: a chegada de transparência ao mercado

Projeção 4: A paridade de informação que deve existir entre consumidores e varejistas significa que consumidores terão ainda mais conhecimento sobre os produtos, diferenças de preço, tendências e lançamentos e desempenho do produto do que os próprios concorrentes no mercado. Isso deverá reduzir a demanda de profissionais na área de venda.

Projeção 5: A paridade em TI também significa que mais consumidores se tornarão vendedores por meio de sites de leilões ou outros meios de comércio eletrônico-facilitado e, consequentemente, abocanharão parte do market share dos varejistas convencionais.

Projeção 6: A tecnologia deverá trazer ainda mais transparência ao mercado como um todo, não apenas naquilo que diz respeito à democratização das informações sobre um produto em específico. Mas também, quando se fala em desobediência às boas práticas éticas e corporativas como utilização de trabalho infantil, fornecedores destruidores do meio ambiente, etc. Tudo isso, ganhará ainda mais evidência aos olhos de um consumidor que a cada dia se torna mais exigente e consciente sobre questões de responsabilidade social e ambiental.

5- Como fazer marketing para a geração “You Tube” de consumidores

Projeção 7: Sites como You Tube deverão potencializar crescimento explosivo desse tipo de mídia por anunciantes tradicionais.

Projeção 8: A interatividade dos “vídeo-blogs” farão deles ferramentas de ONGs e ativistas para protestar contra varejistas os quais são vistos como disseminadores de uma cultura politicamente incorreta.

6- A nova face do consumidor e trabalhador global

Projeção 9: A demografia da força de trabalho na próxima década deverá se tornar decisiva para os negócios no varejo nos países desenvolvidos, o que aumentará custos e tornará ainda mais crítica a contratação, treinamento e retenção de profissionais.

Projeção 10: Também na próxima década a demografia do consumidor se tornará negativa para o varejo, uma vez que, a tendência é que os consumidores em geral gastem mais com serviços, viagem, plano de saúde do que com bens/ produtos. Isso é relativo aos diferentes países. Aqueles que já atingiram um alto índice de desenvolvimento possui uma população mais interessada em serviços e qualidade de vida. Os consumidores de países em desenvolvimento, como o Brasil, por exemplo, o potencial de compra é mais alto.

Projeção 11: Para aumentar as vendas, a tendência é que as empresas voltem os olhos aos países em desenvolvimento, já que neles o público consumidor ainda é relativamente “jovem”.

7- Crescimento da classe média mundial

Projeção 12: Com a limitação de crescimento em seus próprios países, os varejistas deverão recorrer aos países em desenvolvimento com maior potencial de consumo para poder aumentar volume de negócios.

8- O produto com estilo de vida

Projeção 13: Na busca pelo crescimento, marcas explorarão produtos e áreas menos convencionais para tentar criar um maior vínculo afetivo entre o consumidor e o produto/serviços oferecidos, associando marca a estilo de vida.