Transformação total

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O mundo vive em constante transformação, paradigmas e tradições são quebrados constantemente. Claro que o mercado não passaria ileso por essa movimentação, é a partir daí que surgem disrupturas, atividades capazes de virar um setor de cabeça para baixo. “Aprecio o termo disruptiva e disrupção. Mais adequados, a meu ver, do que inovação radical. Radical é o que tem raiz e as transformações no mundo que vivemos tem rompido com o passado. Não sobra raiz sequer. Tudo hoje é diferente de ontem e sabemos que não será mais igual amanhã. É como subir uma escada rolante que está descendo. Tudo muda profundamente e em alta velocidade. É certamente a era mais excitante da humanidade”, comenta Valter Pieracciani, sócio-diretor da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas.
É difícil prever o que gera uma quebra, de onde começa esse movimento, mas sempre que a sociedade encontra-se frente a modificações de valores e de cultura, tudo passa a ser impactado. E o que se faz no presente, passa a ser algo ultrapassado. “Vivemos a economia e o mundo líquido, onde tudo flui e muda o tempo todo. A verdade é que profundas mudanças socioculturais estão abrindo brechas para inovação disruptiva, ao mesmo tempo em que produtos e serviços que amávamos passaram a ser completamente irrelevantes. Em outras palavras: inovação acelerada em todos os lados. Pode escolher se quer: ser ‘trator’ ou ‘estrada'”, explica Pieracciani. 
Quanto às mudanças no perfil de consumo, as apostas são em uma transformação profunda nas relações mercadológicas. “O maior motor disso é a economia compartilhada e a economia cíclica. Consumo será palavra do passado. Compartilharemos casas, malas, carros, tudo. Assim revoga-se o princípio de propriedade e de acúmulo. Passa a vigorar: desfruto do que preciso apenas pelo tempo que precisar. Isso impactará todo o projeto dos produtos e serviços. Sua utilidade, durabilidade e desempenho terão que ser diferentes”, esclarece Valter, que conclui com uma expressiva recomendação: “Uma nova cultura acompanha a empresa capaz de inovar. É a cultura da adaptabilidade, a cultura camaleônica. Isto significa nota zero para as tradições, cinco para as inovações e dez para as rupturas. Em outras palavras: ser atleta corporativo, capaz de reiniciar do zero tudo o que faz e superar qualquer limite; estar em simbiose com os mercados, antepor-se às mudanças e adaptar-se para lidera-las e fazer negócios em qualquer realidade e, finalmente, inovar com habilidades e competências para fazer diferente, rapidamente e em alinhamento com o que é valor para os clientes. Esses três componentes definem a cultura camaleônica.”