Transparência e agilidade no governo

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Fernando Corbi

Agilidade e transparência são requisitos fundamentais na boa administração pública em qualquer parte do mundo. Além disso, a pressão da sociedade sobre a administração pública tem aumentado nos últimos anos. A Lei de Responsabilidade Fiscal adotada no Brasil é um exemplo. Mais do que responsabilizar apenas a boa ou má vontade política, é importante observar se as melhores ferramentas disponíveis no mercado, estão sendo usadas. Nos últimos anos, sofisticadas tecnologias de análises de dados, conhecidas como business intelligence, passaram a fazer parte de projetos de governos federais, estaduais e municipais, em organizações de defesa, ajuda social, inteligência, ambientais, transporte e educação, com significativos resultados.

Como deveria o administrador público conciliar a demanda por maior transparência com a necessidade de executar os orçamentos de forma responsável?

Os sistemas de business intelligence foram concebidos para promover uma gestão inteligente dos negócios. Sua presença já está consolidada no setor privado e agora começa a se disseminar pelo setor público, contribuindo para controlar orçamentos, reduzir os custos operacionais, implementar serviços via Internet (iniciativas de eGovernment), identificar e segmentar cidadãos e contribuintes para a prestação de serviços, e alinhar o capital humano disponível de acordo com as necessidades da tarefa e dos órgãos.

Exemplos não faltam. Dentro e fora do Brasil há projetos que demonstram como esses sofisticados sistemas auxiliam o combate a fraudes, agilizam a administração e dão transparência às esferas do Legislativo, Executivo e Judiciário. Que o diga a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, que implantou um amplo projeto de cruzamento de dados para o combate à evasão fiscal. Em um dos testes iniciais da Sefaz-SP, cruzando os dados de apenas 70 empresas, apurou-se uma inconsistência de R$ 300 milhões. Somente por meio desta análise, arrecadou-se cerca de R$ 17 milhões. Antes do projeto, um relatório demorava dois dias para ser concluído. Hoje, esse mesmo relatório está pronto em questão de segundos, sendo distribuído pela web para todo o Estado.

No âmbito Legislativo Federal, na Secretaria Especial de Informática do Senado Federal (Prodasen), está sendo implantado um projeto de gestão para a elaboração e execução do orçamento nacional. Com acesso limitado ao Legislativo no momento, será expandido no final do trabalho de implementação, permitindo que os cidadãos brasileiros acompanhem a utilização das verbas públicas pela Internet. Estes são exemplos de necessidades completamente diferentes, mas com mesmos objetivos: agilidade e transparência na administração.

Nos Estados Unidos, o uso de sistemas analíticos no governo já alcançou um estágio de grande importância na administração, com exemplos nas mais variadas áreas. Depois do traumático 11 de setembro, o Departamento de Estado dos Estados Unidos (US State Department) implantou um sofisticado projeto para o cruzamento e análise de dados capaz de identificar suspeitos de ações terroristas. O trabalho de análise de informações estratégicas tem rápida distribuição via web, com segurança rígida de acesso, para o combate pró-ativo a possíveis ameaças terroristas.

O FDA – Food & Drugs Administration, órgão que regulamenta a comercialização de alimentos e medicamentos no Estados Unidos, utiliza os sistemas de gerenciamento e análise em diversos projetos. Com uma das mais altas responsabilidades do governo norte-americano, a agência federal analisa e compartilha bases de dados e informações estratégicas sobre remédios, doenças e alimentos com outras organizações governamentais.

A Memphis Light, Gas & Water é uma das maiores empresas municipais de serviços públicos nos Estados Unidos. Para melhor administrar questões como distribuição eficiente dos serviços, manutenção de equipamentos e o pagamento das contas dos clientes, nove projetos internos vêm ajudando a Memphis a reduzir custos operacionais e a ofertar de novos serviços via web aos clientes. A tecnologia de business intelligence foi fundamental na descoberta de gastos antes “escondidos” e na a otimização de recursos, a partir de um controle mais preciso dos recursos e dos processos.

Os exemplos são realmente muitos: em setores como educação, habitação, saúde, transporte e previdência, os sistemas de cruzamento de dados, com consultas, análises e relatórios realizados pela web ajudam na identificação, triagem e gerenciamento de informações que levam melhores serviços à população. É a “inteligência” a serviço do setor público, assegurando maior transparência para o eleitor e para o cidadão, e maior agilidade para o administrador público.

Fernando Corbi, diretor geral da Business Objects no Brasil.