Varejo registra retração em 2015

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A receita de vendas do comércio varejista ampliado encerrou o ano de 2015 com uma retração de 1,4% em relação a 2014, depois de descontada a inflação que incide sobre a cesta de setores do varejo ampliado. É a primeira queda anual da série histórica do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). Em 2014, o índice havia registrado crescimento de 4,2% e de 5,8%, em 2013, na mesma base de comparação. Já o ICVA nominal cresceu 5,5% no ano, contra alta de 10,9% em 2014 e de 13,4% em 2013.
 
Destaques de dezembro
No último mês de 2015, o índice registrou uma retração de 5,5% sobre um ano antes, mesmo percentual de novembro. É o quinto mês seguido de variação negativa das vendas do varejo na comparação ano contra ano. Comportamento que se mostrou mais acentuado a partir do terceiro trimestre do ano. Vale destacar que, ao contrário de novembro, que foi prejudicado pelos efeitos de calendário, o último mês do ano foi beneficiado pela troca de dias da semana em relação a 2014 – uma quinta-feira a mais e uma segunda-feira a menos. 
Pelo ICVA deflacionado ajustado, que desconta os efeitos de calendário além da inflação, o mês de dezembro apresentou retração de 5,9%. O cenário é, portanto, de desaceleração – em novembro, o indicador havia sinalizado retração de 4,4% nesse mesmo conceito. Em termos nominais, o Índice registrou crescimento de 2,6% em relação a dezembro de 2014 – em novembro, a alta havia sido de 2,2% na mesma base de comparação. Com o ajuste de calendário, o ICVA nominal apurou alta de 2,1% no mês, inferior aos 3,5% registrados em novembro.
Na semana que antecedeu o Natal, entre os dias 18 e 24 de dezembro, a receita deflacionada de vendas do comércio varejista teve retração de 5,2% sobre o mesmo período de 2014 – quando o indicador havia registrado alta de 1,6% nessa base de comparação. Em valores nominais, o ICVA mostrou alta de 3,2% na receita de vendas no período mais forte das compras natalinas. 
Inflação
A inflação no varejo ampliado em dezembro atingiu 8,6% no acumulado dos últimos 12 meses. O número indica aceleração sobre os 8,2% registrados em novembro. Itens como alimentos e combustíveis seguem puxando a inflação para cima. Lembrando que a cesta de compras no varejo ampliado não inclui itens como energia elétrica, aluguel, condomínio, entre outros. Esses são contemplados no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Setores
Considerando os grandes blocos de setores que compõem o varejo ampliado, todos tiveram retração nas vendas em dezembro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Enquanto em novembro o grupo de setores que comercializam bens semiduráveis e duráveis havia apontado ligeira aceleração na margem por conta das vendas no setor de Móveis, Eletro e Lojas de Departamento, beneficiado pela Black Friday, em dezembro o efeito foi reverso: o bloco teve a desaceleração mais acentuada do ICVA. Em bens não duráveis, destaque para Drogarias e Farmácias, que segue como um dos poucos setores com desempenho positivo. O segmento de Supermercados e Hipermercados manteve o patamar de novembro, com uma retração menor que a média do ICVA. Já o setor de Postos de Gasolina puxou o grupo para baixo. 
Finalmente, dentro do bloco de setores da cesta de serviços, aqueles relacionados ao Turismo puxaram o índice para cima. Embora a venda de passagens aéreas e pacotes também tenha sofrido impacto com o efeito de antecipação de vendas causado pela Black Friday. 
 
Desempenho por região 
Todas as regiões brasileiras apresentaram retração no varejo. O Sul teve a maior queda anual (-2%), seguido do Sudeste, que apurou retração de 1,8% no ano. Norte e Centro-Oeste aparecem com o mesmo percentual de queda (-1,3%). Por fim, o Nordeste, que teve um comportamento mais resiliente e encerrou o ano com baixa de 0,1%. Na abertura por estados, todos tiveram desempenho abaixo do registrado pelo ICVA em 2014. Sergipe, Acre e Piauí apontaram o maior crescimento em receita de vendas do varejo em 2015. O primeiro apresentou uma alta de 1,5%, único estado com crescimento superior a um ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2014. Acre, com alta de 0,7% e Piauí (0,5%) aparecem na sequência. Além deles, registraram crescimento em 2015: Tocantins e Paraíba (ambos com 0,3%) e Rondônia (0,1%). 
Na outra ponta, com percentuais negativos, aparecem Santa Catarina (-0,1%), Rio Grande do Norte (-0,2%), Mato Grosso (-0,2%), Maranhão (-0,2%), Ceará (-0,5%), Mato Grosso do Sul (-0,9%), Bahia (-1,1%), Goiás (-1,2%) e Minas Gerais (-1,2%).  Abaixo da média nacional, também com percentuais negativos, estão Pernambuco e Alagoas (-1,8%), Pará (-1,9%), Rio Grande do Sul (-2%), Paraná e Espírito Santo (-2,2%), Rio de Janeiro (-2,6%), Roraima (-2,7%), Distrito Federal e São Paulo (-3,4%), Amazonas (-4,3%) e Amapá (-7,2%).