Vendas do pequeno varejo caem em março

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As vendas no pequeno varejo tiveram queda de 1,9% em março ante ao mesmo período de 2006, segundo a Pesquisa Conjuntural do Pequeno Varejo (PCPV) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. No trimestre, o resultado é positivo em 0,5%. A maior retração no faturamento real ocorreu no comércio de alimentos e bebidas (14,3%) e o melhor desempenho foi no grupo de vestuário, tecidos e calçados (11,6%). Dos sete setores pesquisados, cinco apresentaram resultados negativos. Na análise do presidente da Fecomercio, Abram Szajman, o resultado foi influenciado pelo crédito, que está se expandindo mais lentamente, e pelo alto nível de endividamento do consumidor – que faz com que ele desvie parte da renda e do crédito do consumo para o pagamento de dívidas.
O grupo de Alimentos e Bebidas sofre com o elevado endividamento da população, que reduz o poder de compra do consumidor. O setor, que é o mais importante na composição do índice geral da PCPV, teve em março queda de 14,3%, acumulando no primeiro trimestre resultado negativo de 11,9%. Já nas lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados ocorreu elevação de 11,6% no faturamento real, ante a março do ano anterior. No ano, o grupo acumula alta de 14,7% – a maior taxa de crescimento acumulada dentre todas as atividades pesquisadas. Vale ressaltar que no inverno e no Natal este segmento costuma aumentar suas vendas, o que contribui para o seu desempenho.
No grupo de Móveis e Decorações, a PCPV registrou aumento de 11% no faturamento real, comparativamente a março do ano passado, e acumula elevação de 14% no ano. O crédito direcionado às faixas de renda mais baixas foi um dos fatores que influenciou no resultado do setor. As lojas de Eletroeletrônicos contabilizaram em março queda de 3,5% no faturamento real em relação ao mesmo período de 2006, e acumula no ano desempenho negativo de 2,5%. O efeito “gangorra” que tem ocorrido com este grupo dificulta projeções para médio e longo prazos.
As Farmácias e Perfumarias do pequeno varejo tiveram em março retração de 4,7% do faturamento real na comparação com o mesmo período de 2006. A enorme concentração do setor contribui para manter as pequenas empresas não conveniadas ou sócias das grandes redes em situação ruim, tendência que será mantida durante o ano. No trimestre este grupo registra queda de 4,3%. A competição com as grandes concessionárias e grandes redes varejistas, aliada a queda dos preços influenciaram o desempenho negativo do grupo de Autopeças e Acessórios, que em março ficou em 8,3% ante o mesmo período do ano anterior. O setor acumula no trimestre queda de 7,5%.
Repetindo o péssimo desempenho dos meses anteriores, as lojas de Material de Construção teve em março retração de 10,4% no seu faturamento real e acumula no ano desempenho negativo de 9,8%. A ausência de linhas de crédito direcionadas à baixa renda, com estímulo direto à auto construção, bem como a competição com as grandes redes, estão entre os motivos que levaram o grupo a este resultado.