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Você no comando…

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José Floro Sinatura Barros
Estamos vivenciando uma época em que os avanços tecnológicos aumentam nossa produtividade, possibilitam mais rapidez no desenvolvimento de atividades e trazem informações em tempo real, diminuindo todas as distâncias entre os fatos e as pessoas.
Indo mais a fundo, embora as aberturas políticas democráticas e os avanços que experimentamos em todos os setores de nossa economia e de nossa vida tragam-nos tudo em tempo real, de forma que as dificuldades cotidianas são difundidas de uma forma bastante ampla, temos uma tendência, mais do que comprovada, de protelar nossos “compromissos”, quaisquer que sejam eles. Como um exemplo claro, a idade do “jovem” sair de casa está aumentando a cada dia. O questionamento, simplificado, seria: “por que vou diminuir meu padrão, assumindo a responsabilidade de ter um apartamento, se aqui com meus pais tenho tudo de que preciso?” A intenção é sair de casa apenas quando a condição estiver mais favorável, e, como vemos que a renda média do brasileiro está diminuindo, preferimos continuar a morar com nossos pais até que as coisas melhorem.
Como neste caso, com o qual temos inúmeros exemplos ao nosso redor, todos os nossos compromissos de assumirmos as reais responsabilidades estão sendo protelados, atrasando nossa maturidade e nosso desenvolvimento como pessoas.
Com muita propriedade, Renato Mezan, psicanalista, comentou na Revista Veja, de 5 de Janeiro de 2005, que “os psicanalistas do século XVIII conceberam a autonomia como atributo essencial do ser humano e o vincularam ao exercício da razão dos assuntos pessoais e cívicos. O correlato da autonomia está na responsabilidade pelo que fazemos nas diversas dimensões: jurídica, política e ética”.
Continua Renato, “neste início de Século XXI, a liberdade individual, a conquista mais importante dos últimos dois séculos, parece ser entendida como direito de consumir e de buscar o prazer a qualquer custo. Pouco importa o sentido de nossas experiências: é sua intensidade que deveríamos avaliar, transformando cada ato e cada instante numa fonte de excitação fazendo de nossa vida um constante borbulhar de sensações sem continuidade”.
Esta época traz, também, com todos os seus avanços, muito mais estímulos externos, através da propaganda, atingindo cada vez mais indivíduos, “provocando” necessidades que, cada vez mais, nos forçam a satisfazê-las imediatamente. Com isso temos uma maior dificuldade de nos conformar com a renúncia do imediatismo com que buscamos a satisfação de nossas vontades.
Este fenômeno nos faz estarmos mais preocupados com estas necessidades imediatas, o que, na grande maioria das vezes, impede que consigamos nos abstrair no momento atual, tendo uma visão de nossas reais necessidades e metas de longo prazo.
As necessidades de longo prazo são os parâmetros que nos guiam e nos permitem visualizar o norte de nossa existência, onde queremos chegar e como podemos traçar planos para satisfazer nossa jornada, em nossa essência, com muito mais foco em nossos reais objetivos de vida.
Quando não temos uma real visibilidade de nossas metas de longo prazo, nossas ações de curto prazo são conduzidas pelos modismos e pelas nossas “vontades” criadas pelo mundo externo, pelos propagandistas e pelos criadores das modas.
Os momentos e os sentimentos de angústia e de falta de sentido para a vida são realçados quando percebemos que estamos satisfazendo nossas necessidades momentâneas e, mesmo assim, sentimos uma sensação de vazio, uma sensação de estarmos “à deriva”.
A parte mais complicada de tudo isso reside em perdermos a autonomia de assumir a responsabilidade do comando de nosso próprio destino, de nossa vida, e acabarmos à mercê de soluções enlatadas, encontradas em livros que se dizem capazes de nos auto-ajudar a encontrarmos nossos caminhos, de uma forma simples, como se fosse uma receita de bolo.
O equívoco destas formas prontas está no fato de que cada indivíduo se realiza, pessoal e profissionalmente, de uma forma diferente, por mais que os padrões comportamentais tentem rotular, ou melhor, padronizar-nos. As formas de encararmos nossas vidas, nossas realizações pessoais e profissões são únicas, da mesma forma que falamos das impressões digitais, que são singulares.
Cito novamente Renato Mezan, na mesma revista, onde diz “as pessoas esperam do terapeuta que lhes ofereça algo capaz de proporcionar alívio rápido e sem esforço. Como se os problemas da alma fossem um espinho que se tira do pé”.
O ano de 2005 está apenas começando! Vamos aproveitar para fecharmos o balanço do Ano Velho, analisarmos nossos erros e acertos e, com muito mais foco e dedicação, traçarmos nossas metas para os próximos 10 anos, obtendo mais consistência de onde queremos chegar. As metas deste ano, 2005, devem, sim, estar alinhadas com nossas metas de longo prazo, como sendo os primeiros passos para atingirmos nossos objetivos.
Desta forma, você estará no comando…
José Floro Sinatura Barros é diretor presidente da Floro Gerenciamento de Carreira.

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