Gastos do mercado emergente ditando regra

No período de julho de 2013 a junho de 2014 foi registrado um aumento de 7,5%, contra 8,8% no mesmo período do ano passado – equivalente a U$ 8.3 bilhões em perdas – nos gastos de bens de consumo, evidenciando as consequências do esfriamento da economia global, aponta o novo estudo lançado pela Kantar Worldpanel. A pesquisa também prevê uma redução de 7% até junho de 2015. 
 
A queda é, em grande parte, impulsionada por uma desaceleração do consumo na Ásia, onde o crescimento de bens de consumo não duráveis está agora em 5,2%, queda de 3,6 pontos percentuais em comparação com o ano passado, cerca de U$ 15 bilhões. A retração foi sentida na China, onde o crescimento caiu um terço nos últimos dois anos, de 15,8% em 2013, para 5,6% na análise dos últimos 12 meses terminada em junho de 2014. Em contra partida, a América Latina está crescendo a 13%, contra 8,7% no ano passado. Enquanto em alguns países, incluindo Equador e Colômbia, isto se dá pelo crescimento na demanda subjacente, em outros é resultado do aumento da inflação.  
 
Apesar de ainda ter um forte desempenho em comparação com os mercados maduros da Europa e da América do Norte, a redução no crescimento dos mercados emergentes é significativa. “A desaceleração do crescimento econômico em muitas economias emergentes levou os consumidores a controlarem seus gastos em bens de consumo diário. Estamos diante de uma nova realidade, onde o crescimento de bens de consumo não duráveis é mais moderado. As marcas terão de ser ainda mais inteligentes ao decidir quais serão os mercados-alvo e ao desenvolver a sua abordagem dentro de cada país”, afirma Jason Yu, gerente geral da Kantar Worldpanel China. 
A China responde por 69% do mercado emergente asiático e influencia toda a região. Alimentos embalados ocupam a maior parte dos orçamentos dos consumidores chineses e as vendas foram particularmente afetadas pela desaceleração global, com crescimento de apenas 1,8% em comparação com 16% nos 12 meses encerrados em junho de 2012. O impulso do mercado de bens de consumo não duráveis na China vai ressurgir quando o crescimento no gasto com alimentos embalados se recuperar.”
 
O crescimento de produtos de consumo não duráveis na América Latina aumentou para 13% nos 12 meses até junho deste ano, e a previsão é que termine 2014 em 14,2%. O crescimento da região foi impulsionado principalmente pelo Brasil, que responde por 42% da compra de bens de consumo embalados (ou, em inglês, Food Moving Consumer Goods). Na última década, famílias de renda mais baixa e média do Brasil têm sido capazes de pagar os bens que anteriormente estavam fora do seu alcance. A inflação tem um forte impacto no crescimento da região – a demanda em volume de produtos não duráveis na América Latina cresceu apenas 2,8% nos 12 meses encerrados em junho de 2014. 
“A inflação não tem sido restrita a FMCG e tem impactado o custo de outros produtos e setores como o automotivo, imobiliário, lazer, bens duráveis, e jantar fora de casa, pois os consumidores decidem equilibrar seu orçamento ficando em casa. O padrão de consumo de FMCG no Brasil não é uma exceção, e agora está sofrendo mudanças. Apesar do aumento da inflação, a demanda atingiu o pico durante o primeiro trimestre de 2014. Três meses depois, os consumidores têm o seu consumo moderado. Hoje, a quantidade de produtos em cestas é a mesma que no ano passado, mas eles custam mais. Marcas que podem ajudar os brasileiros a manter um equilíbrio em suas despesas nos próximos meses serão aquelas com maior chance de sucesso”, expõe Marcos Calliari, managing director da Kantar Worldpanel Brasil.

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