O que é, afinal, ser socialmente responsável?

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O movimento sobre responsabilidade social tem crescido no Brasil nos últimos anos, mobilizando a comunidade – instituições, corporações e chegando a movimentos sindicais. “O conceito que começa a ganhar corpo é o das corporações retribuírem os benefícios econômicos em ações que beneficiem a própria comunidade, o meio ambiente, criando uma sinergia que leve à ética e à uma política sustentável”, justifica o diretor-executivo Paulo Augusto Oliveira Itacarambi, do Instituto Ethos (ética em grego). Fundado em 1998 por um grupo de empresários, o Instituto reúne perto de 100 associados que representam 28% do PIB, que empregam cerca de 1 milhão de pessoas, dentro de uma filosofia de formar redes estratégicas de parcerias. São três as suas linhas de atuação: mobilização no setor privado, mobilização para a sociedade em geral e produção de informação.
Paulo destaca dois aspectos que considera importante no âmbito da responsabilidade social. O primeiro é o movimento que cresce no conjunto da sociedade, com o tema estando presente nas corporações. “Temos empresas que estão desenvolvendo ações e outras que estão iniciando-as. Mas o importante é que as empresas estão cada vez mais envolvidas com o assunto”, justifica. A discussão sobre o tema, de acordo com ele, está na agenda acadêmica, sindical, ganha espaço cada vez maior na mídia e no âmbito público, através de ações governamentais.
O segundo aspecto é que as próprias organizações comprometidas com a filosofia começam a implementá-la nas relações comerciais. “O nível de comprometimento das empresas com responsabilidade social já começa a ser critério de avaliação de fornecedores”, aposta Paulo. Ele reforça que em todo o âmbito da cadeia de valor econômico, como entre as corporações, liberação de investimentos, avaliação de carteira de investimentos e por fundos, a própria Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) está emitindo um índice de responsabilidade social. “É um tema que está entrando na relação de mercado”, salienta. Mas, ele admite que a responsabilidade só se consolidará ao se transformar em um critério normal de mercado. “Quando, da mesma forma que se pede um balanço econômico, se passar a pedir um balanço de responsabilidade social”, pondera.
O mercado de atendimento e relacionamento com clientes – formado pelas empresas de call center e operações in house – tem um papel fundamental neste cenário, como salienta Paulo Itacarambi. “Seu papel é fundamental por ser um instrumento de relacionamento e de divulgação das empresas, além do potencial que representa dentro da sociedade”, comenta.
As linhas do Ethos
Mobilização no Setor Privado – Produz ferramentas para a gestão empresarial, oferece informação, pesquisa e indicadores na área da responsabilidade social empresarial em níveis nacional e internacional. Nesta linha, destacam-se atividades como criação de indicadores de responsabilidade social, promoção de eventos, cursos, palestras e seminários, reuniões mensais com os associados, uma conferência anual para debater o tema e a conjuntura nacional, uma campanha anual de mídia e um recente programa de regionalização para levar a discussão para todas as regiões do País.
Mobilização para a Sociedade em Geral – Envolve a participação e promoção do diálogo com outros interlocutores – imprensa, entidades, associações, federações e ONGs, instituições de ensino e governo -, para identificar e ampliar potenciais linhas de ação, visando a consolidação da discussão e sua multiplicação.
Produção de Informação – Produz a pesquisa anual Empresas e Responsabilidade Social – Percepção e Tendências do Consumidor, manuais temáticos, divulgação e produção de conteúdos e um site de referência sobre o tema na Internet. A instituição ainda coleta e divulga dados e casos desenvolvidos pelas empresas e promove intercâmbio com entidades internacionais. www.ethos.org.br