Pessoas, a nova fase da transformação digital

A questão cultural ainda breca uma maior evolução do mercado

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Thais Antoniolli
Thais Antoniolli

Autora: Thais Antoniolli

Nos últimos anos, a transformação digital virou a grande vedete das empresas. Quer uma prova? Por curiosidade, vasculhei no Google Trends quando, de fato, o tema passou a ser mais procurado pelas pessoas no buscador. Curiosamente, 2018 foi, sem dúvidas, seu auge.

Hoje, dois anos depois, o lema continua sendo transformar ou desaparecer. De fato, essa premissa saiu do papel e a maioria das companhias entendeu que era preciso reformular seus modelos de negócios com vistas ao cliente, seja ele interno ou externo. Mas algo aconteceu para que a transformação digital não evoluísse tanto quanto necessário.

Minha aposta para esse quadro? A questão cultural. Tenho conversado com muitas empresas sobre o tema e a unanimidade é essa. Recentemente, participei de uma conversa com um grupo de executivos, que acabou virando uma espécie de divã da transformação digital.

Eles revelaram que apesar de todos os esforços da empresa, das áreas de Tecnologia da Informação e de Recursos Humanos, muitos dos talentos não estavam engajados com aquela nova forma de trabalhar. Treinamentos e workshops foram realizados, incentivos aplicados, mas nada animou o time para a transformação. Infelizmente, são talentos que serão logo expelidos do mundo corporativo.

Poucos se deram conta de que para ter sucesso na iniciativa é preciso focar em pessoas. Elas estão no centro dessa transformação. Afinal, de nada adianta ter tecnologias disruptivas incríveis, processos com o selo Harvard de aprovação e o board engajado se as pessoas não são protagonistas. E isso é realmente crítico.

Negligenciar o fator humano é um risco gigantesco que corre todo o mercado. O olhar voltado para as pessoas pode parecer conversa furada, mas não é. Não adianta projetar grandes receitas, sem incluí-las. São elas que fazem tudo acontecer. Já passou da hora de reconhecer que a transformação digital é sobre pessoas no centro e não tecnologias.

Entendo que esse é um processo evolutivo, mas ele precisa acontecer e não se pode esperar mais. A roda da transformação está girando cada vez mais rápido e chegando com força total. Faça sua escolha: negligenciar pessoas ou ajudá-las a fomentar a mudança. Isso definirá seu futuro e o da sua empresa.

Thais Antoniolli é presidente da PR Newswire na América Latina.