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Reflexão ESG: o poder de quem compra

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Jefferson Kiyohara, diretor de Compliance & Sustentabilidade na ICTS Protiviti

 Empresas íntegras, engajadas, que respeitam as pessoas e o planeta, são aquelas que merecem receber nosso dinheiro

Autor: Jefferson Kiyohara

Quando você compra algum produto ou serviço, que critérios utiliza na escolha? Na maioria das vezes, os aspectos mais relevantes são preço, qualidade, prazo e marca. E, neste cenário, alguma vez você já pensou de onde originou aquilo que está comprando e qual caminho percorreu até ser entregue a você? Este artigo tem o objetivo de provocar a reflexão dos consumidores e clientes, que têm um papel importante para que a jornada ESG se torne uma realidade.

Quando se tem poder de compra, por consequência, existe responsabilidade. Pensando no contexto brasileiro e considerando que temos 1 em cada 4 brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza, de acordo com o IBGE, e 51% integrando as classes D e E, segundo a consultoria Tendências, muitos podem criticar argumentando que uma grande parte da população não tem efetivo poder de escolha, e, portanto, a questão preço baixo é sim muito relevante.

Analisando o preço, se é possível comprar algo bom, bonito e barato, então, por que não o fazer? Neste momento, muitos pensam que se é acessível ao seu bolso, por que não devo comprar? Existem motivos que devem ser avaliados. Vamos usar uma roupa como exemplo. Há casos em que o valor baixo só é possível porque não foram pagos salários dignos a quem costura, as condições de trabalho eram ruins e foi utilizado mão de obra forçada e infantil. E quem compra, financia e apoia esta rede. Não devemos deixar isto acontecer. O sarrafo deve ser elevado, visando o benefício coletivo.

Da mesma forma, um eletrônico ou joia que utiliza metais extraídos de garimpos ilegais ou matérias-primas de empresas despreocupadas com a questão ambiental e/ou trabalhistas, podem trazer embutido em seu custo diversos fatores, como desmatamento de florestas, mortes de indígenas, trabalho e prostituição infantil, trabalho análogo ao escravo, doenças e contaminação, entre outros. Não podemos ser indiferentes em relação a estes temas. Devemos buscar coerência de nossas ações de consumo e do que acreditamos ser o certo.

Vale também lembrar que há ainda produtos baratos que são originados de roubos e contrabando, muitas vezes obtidos causando a morte de uma pessoa ou custando o emprego de outra. Não dá para aceitar estas falsas vantagens, e ao mesmo tempo reclamar de violência, de verbas públicas insuficientes, de salários baixos, de que falta humanidade neste mundo. Todo cliente e consumidor tem um papel a cumprir, em especial aqueles que têm melhores condições financeiras e de acesso à informação. Isto se soma à responsabilidade das próprias organizações.

O caminho é buscar informações sobre as empresas, exigir maior transparência e independência dos dados fornecidos sobre os produtos e serviços, a origem da matéria-prima e de todo o processo produtivo, inclusive sobre terceiros. Empresas íntegras, engajadas, que respeitam as pessoas e o planeta são aquelas que merecem receber o seu dinheiro. Este tipo de ação é parte do caminho para construir um mundo melhor para todos. E você, afinal, sabe de onde vem o que compra?

Jefferson Kiyohara é diretor de Compliance & Sustentabilidade na ICTS Protiviti.

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