Empresas com alta maturidade em IA desenvolvem projetos na tecnologia por três anos ou mais
Autor: Tiago Amor
A maioria das empresas não pausa seus projetos de inteligência artificial por falta de investimento em tecnologia. Pausam por falta de maturidade para operar IA com consistência, governança e valor de negócio.
A evidência está nos dados mais recentes do Gartner: 45% das organizações com alta maturidade nesse tema mantêm iniciativas de IA em produção por três anos ou mais. Entre as de baixa maturidade, esse número cai para 20%.
O que separa as empresas que extraem valor real da IA daquelas que não conseguem capturar retorno não é a tecnologia em si, mas a capacidade de sustentá-la ao longo do tempo. Essa diferença está na qualidade dos dados, solidez dos processos, governança e envolvimento direto da liderança.
Em empresas maduras a IA deixa de ser uma promessa isolada e passa a atuar dentro dos processos que são o core do negócio, com dados confiáveis, critérios claros, indicadores de resultado e rastreabilidade sobre decisões críticas. Sem essa base, a empresa até experimenta a tecnologia, mas não a transforma em capacidade real de gestão.
Em relação aos desafios, o Gartner mostra que disponibilidade dos dados e qualidade da informação seguem entre as três principais barreiras tanto nas empresas mais maduras quanto nas menos maduras.
O ponto central, porém, não é apenas reconhecer o problema, mas a forma de enfrentá-lo. Empresas mais maduras não partem do pressuposto de que o dado e todos os processos estarão prontos para operar com IA. Elas criam arquitetura, governança e disciplina operacional para tornar IA utilizável, confiável e escalável.
As barreiras também mudam de natureza à medida que a maturidade avança. Nas empresas mais maduras, o debate já se desloca para segurança, consistência e sustentação em escala. Nas menos maduras, o desafio ainda está em encontrar o caso de uso certo e provar relevância para o negócio. São estágios diferentes da jornada: de um lado, organizações tentando justificar a adoção; de outro, empresas que já entenderam o valor da IA e agora precisam operá-la com ainda mais governança.
Outro traço claro de maturidade é a liderança. 91% das empresas mais maduras já nomearam líderes dedicados à IA segundo o Gartner, porque IA deixou de ser assunto experimental e passou a exigir direção executiva. Quando a responsabilidade do projeto é difusa, a tendência é multiplicar iniciativas isoladas, com baixa integração e pouca capacidade de sustentação. Quando há liderança clara, a empresa consegue alinhar inovação, infraestrutura, times, arquitetura e critérios de priorização.
IA só funciona quando está integrada ao core do negócio
Em resumo, inteligência artificial só gera valor recorrente quando deixa de operar à margem e passa a integrar a engrenagem central do negócio. Isso exige orquestração entre modelos, regras, dados, pessoas, sistemas e fluxos de decisão em uma estrutura única de execução, monitoramento e governança. Sem essa base, a IA pode até impressionar em demonstrações, mas dificilmente se sustenta na operação.
Estamos, portanto, entrando em uma fase mais exigente e mais relevante da IA nas empresas. A fase da curiosidade tecnológica já passou. A fase da experimentação acelerada também. Agora, o diferencial competitivo estará com quem conseguir transformar IA em capacidade operacional duradoura.
Tiago Amor é CEO da Lecom.





















