A adoção de IA tende a ampliar a capacidade humana, e não apenas substituir tarefas
Autor: Renan Salinas
Nos últimos anos, a inteligência artificial (IA) passou de uma tecnologia promissora para um motor central da transformação organizacional e social.
Em 2026, essa realidade será ainda mais evidente: a IA já é parte integrante do cotidiano de milhões de profissionais ao redor do mundo. Mas qual é, de fato, o impacto da IA no trabalho e o que isso significa para empresas, trabalhadores, educadores e formuladores de políticas?
O impacto das novas tecnologias no mercado de trabalho é uma questão central da atualidade. Diante dos avanços recentes da inteligência artificial (IA) generativa, o tema se tornou ainda mais urgente.
Um recente estudo do CNBC Workforce Executive Council mostra que 89% dos líderes de RH acreditam que a IA impactará diretamente as funções de trabalho já em 2026, alterando tarefas, exigências de competências e modelos organizacionais.
Além disso, 67% deles afirmam que a tecnologia já influencia o dia a dia operacional das empresas. As mudanças incluem redistribuição de tarefas entre pessoas e sistemas inteligentes.
Isso indica que o impacto da IA não é mais futuro, ela é uma transformação estrutural em andamento.
Automação e transformação de funções
Dados globais apontam que entre 30% e 40% dos empregos no mundo estão em ocupações com alta exposição à IA.
O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, projeta:
- 170 milhões de novos empregos serão criados até 2030;
- 92 milhões serão substituídos;
- Resultado líquido: crescimento de cerca de 78 milhões de empregos.
Novas funções e novas habilidades
Enquanto algumas atividades repetitivas são automatizadas, outras, até então inimagináveis, surgem.
Funções híbridas de IA e humanos: Especialistas em explicabilidade de modelos, curadores de dados, treinadores de assistentes virtuais, avaliadores de impacto ético e designers de experiências colaborativas entre humanos e máquinas.
Habilidades que ganham destaque: pensamento crítico, criatividade aplicada, resolução de problemas complexos, comunicação interpessoal e literacia em dados.
Empregadores valorizam agora profissionais que combinam competência técnica com habilidades socioemocionais, porque, mesmo em 2026, a criatividade humana segue insubstituível.
A adoção de IA tende a ampliar a capacidade humana, e não apenas substituir tarefas. Ferramentas generativas, por exemplo, aceleram a elaboração de relatórios, propostas e modelos de negócios, auxiliam na criação de conteúdo e design e facilitam a análise de grandes volumes de dados em segundos.
O ganho de produtividade é real, mas depende de como a IA é integrada às operações e de como as pessoas são treinadas para trabalhar com ela.
Em 2026, a educação continuada deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade estratégica. As organizações que investem em requalificação internalizada terão vantagens.
Por outro lado, sistemas educacionais e governos enfrentam o desafio de alinhar currículos ao ritmo da tecnologia, preparando jovens e adultos para profissões que ainda estão emergindo.
Trabalho Remoto, Híbrido e Colaboração com IA
A IA contribuiu para tornar o trabalho remoto e híbrido mais eficiente:
Porém, a dependência tecnológica reforça a necessidade de políticas claras sobre privacidade, segurança de dados e bem-estar digital.
O uso difundido da IA no ambiente de trabalho acende debates complexos, como:
- Transparência de decisões automatizadas: Como explicar recomendações ou avaliações geradas por IA?;
- Privacidade no monitoramento de produtividade: Onde termina a otimização e começa a vigilância?;
- Equidade e vieses: IA pode replicar ou amplificar desigualdades se treinada com dados enviesados.
A cada avanço tecnológico, cresce a necessidade de governança responsável da IA, com princípios éticos claros e mecanismos de auditoria.
Oportunidade e Responsabilidade
O futuro do trabalho em 2026 não é um destino fixo, é uma jornada de escolhas estratégicas e éticas. A IA oferece oportunidades gigantescas para inovação e crescimento, mas também coloca sobre a mesa responsabilidades profundas para líderes, educadores e profissionais.
Empresas que incorporarem IA com responsabilidade irão gerar maior impacto e não apenas em resultados financeiros, mas em cultura, confiança e sustentabilidade.
Profissionais que adotarem mentalidades de aprendizado contínuo estarão mais preparados para navegar nas oportunidades do novo mercado de trabalho.
A pergunta que fica é simples — e poderosa:
Estamos prontos para construir um futuro no qual a IA eleva o trabalho humano em vez de reduzi-lo?
Renan Salinas é CEO da Yank Solutions.



















