Um ponto que merece destaque é o papel das pessoas, pois a tecnologia evoluiu rápido, mas, sem times preparados, ela não gera valor
Autor: Luiz Pereira
A NRF 2026, considerado o maior e mais relevante evento de varejo do mundo, organizado anualmente pela National Retail Federation, deixou um recado claro para quem atua no varejo: a inteligência artificial deixou de ser tendência para se tornar infraestrutura básica do negócio. Não se trata mais de experimentar ferramentas isoladas, mas de operar com IA no centro das decisões. O próprio evento simbolizou isso ao criar um palco exclusivo dedicado ao tema, reforçando que o varejo global já considera a tecnologia como parte estrutural da operação.
O que mais chamou atenção foi a aplicação prática da IA ao longo de toda a cadeia. Vimos soluções maduras para prever demanda, ajustar preços dinamicamente, gerenciar estoques com mais precisão e até agentes inteligentes que auxiliam o consumidor no momento da compra. Para o varejo brasileiro, isso significa ganhos imediatos em eficiência operacional, redução de rupturas, menos capital parado em estoque e aumento de conversão. Não é um cenário futurista: é algo plenamente acessível hoje, inclusive para empresas de médio porte.
No âmbito global, em sua palestra, Sundar Pichai, CEO do Google, apresentou a visão da companhia para o novo padrão do varejo, destacando a inteligência artificial como infraestrutura essencial da jornada de compra, com foco em experiências integradas, personalizadas e orientadas por dados, do descobrimento ao checkout, sempre mantendo o varejista no centro da relação com o consumidor.
Da inovação ao caixa: a virada do discurso
Outro ponto marcante foi a mudança no tom quando se fala de tecnologia, dados e finanças. Se antes os pilares estavam baseados em inovação, experiência e digitalização, agora a conversa é objetiva: como isso gera dinheiro, previsibilidade e caixa. IA, automação e dados apareceram integrados diretamente à gestão financeira, ajudando grandes marcas a prever fluxo de caixa, simular cenários, entender o impacto real das promoções e acelerar decisões.
Esse movimento deixa claro que operação, vendas e finanças não podem mais caminhar de forma independente. O varejista que integra essas áreas por meio de dados e IA cria uma vantagem competitiva difícil de ser alcançada por quem ainda opera de forma fragmentada. A tecnologia passa a ser o elo que conecta estratégia, execução e resultado financeiro.
A NRF também reforça um aprendizado essencial: eficiência virou estratégia de crescimento. Em um cenário de margens pressionadas, é preciso vender melhor, girar estoque com mais velocidade, reduzir desperdícios e aumentar a previsibilidade do caixa. Tudo isso depende de dados em tempo real e de ferramentas capazes de antecipar problemas antes que eles impactem o resultado.
Por fim, um ponto que merece destaque é o papel das pessoas. A tecnologia evoluiu rápido, mas sem times preparados ela não gera valor. O evento mostra que as empresas que mais avançam são aquelas que investem na capacitação de lideranças e equipes para usar dados e IA no dia a dia. Em 2026, vencerá no varejo quem conseguir unir tecnologia, processos e pessoas em torno de um mesmo objetivo: eficiência sustentável e rentável.
Luiz Pereira é diretor comercial da F360, direto de Nova Iorque na NRF26.




















